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Cheiro de incenso, cigarro ou lixo pode gerar punições em condomínios, alerta especialista

Especialista explica que odores e fumaça que afetam a saúde, o sossego ou a segurança dos vizinhos podem exigir intervenção do síndico e até resultar em medidas judiciais

G1
Cheiro de incenso, cigarro ou lixo pode gerar punições em condomínios, alerta especialista Imagem ilustrativa

Cheiro de incenso, cigarro ou lixo do vizinho incomoda? Especialista explica o que fazer em casos de conflito em condomínios

Regra dos "três S" (saúde, sossego e segurança) deve ser respeitada por todos os moradores, mesmo dentro de suas propriedades privativas.

A convivência em condomínio exige tolerância, mas o limite para o bom convívio muitas vezes é testado por fatores que vão além do barulho. Odores que escapam de um apartamento e invadem o espaço alheio — como cheiro de cigarro, incenso, lixo mal acondicionado ou fumaça de churrasco — são motivos frequentes de atritos entre vizinhos.

Um caso exibido no telejornal NE1 ilustra bem esse impasse. Uma moradora, que preferiu não se identificar, relatou que a vizinha do andar de baixo acende incensos fortes várias vezes ao dia, inclusive até altas horas da noite. A fumaça e o cheiro forte têm prejudicado a rotina da casa, afetando diretamente a saúde de sua mãe, uma idosa de 80 anos que possui problemas respiratórios crônicos e diabetes. Ao procurar o síndico, a resposta obtida foi a de que a vizinha estava no direito dela por estar utilizando o produto dentro do próprio apartamento.

Mas será que o direito de propriedade anula o bem-estar dos outros moradores?

A regra dos "Três S"

Para esclarecer a situação, a administradora de condomínios Martha Ponzi explicou que nenhum morador pode usufruir de sua unidade privativa de forma a prejudicar a coletividade. Segundo a especialista, as regras de vizinhança são sustentadas por três pilares fundamentais: Saúde, Sossego e Segurança.

"Nenhum condômino pode infringir os 'três S'. Mesmo estando dentro de sua própria casa, se o morador estiver incomodando o vizinho ou afetando o direito de vizinhança, o síndico precisa tomar a frente e intervir no processo", afirma Martha.

Passo a passo para resolver o problema

A recomendação para lidar com conflitos olfativos ou de fumaça envolve uma escalada de ações que priorizam o diálogo:

  • Conversa amistosa: O primeiro passo deve ser sempre tentar o diálogo direto entre os moradores. Em muitos casos, o vizinho não tem consciência de que o cheiro ou a fumaça estão invadindo e incomodando o apartamento ao lado.

  • Mediação do síndico: Caso a conversa direta não surta efeito, o morador prejudicado deve registrar a reclamação formalmente para que o síndico faça uma abordagem inicial de conscientização.

  • Medidas administrativas: Se o incômodo persistir, o condomínio deve aplicar o que está previsto no regimento interno, recorrendo ao envio de cartas de advertência e notificações de multa.

  • Esfera judicial: Quando todas as alternativas administrativas falham e o morador se recusa a cessar a prática que prejudica terceiros, o caso pode ser levado à Justiça.

Cigarro e fumaça de churrasco também entram na regra?

Sim. É muito comum que moradores fumem em ambientes como varandas ou janelas para evitar o cheiro dentro de suas próprias residências. No entanto, a fumaça tende a subir e entrar nos apartamentos dos andares superiores, gerando o mesmo tipo de conflito.

O mesmo princípio se aplica à fumaça de churrasqueiras elétricas — muito utilizadas em varandas gourmet — e ao lixo deixado de maneira inadequada nos corredores das áreas comuns. Qualquer odor ou fumaça que afete a saúde ou o sossego da vizinhança passível de penalização, e as medidas de contenção devem ser adotadas pelo condomínio.




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