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Golpe imobiliário com anúncios falsos acende alerta em condomínios de alto padrão de João Pessoa

Suspeitos estariam usando documentos e imagens de imóveis reais para oferecer terrenos abaixo do mercado e atrair compradores

PBAGORA
Golpe imobiliário com anúncios falsos acende alerta em condomínios de alto padrão de João Pessoa Reprodução

Golpe imobiliário com anúncios falsos acende alerta em condomínios de alto padrão de João Pessoa

Golpes envolvendo imóveis de alto padrão estão gerando preocupação entre corretores e proprietários em João Pessoa, na Paraíba. Um dos casos mais recentes envolve um terreno localizado em um condomínio na Zona Sul da capital e foi identificado antes que qualquer pagamento fosse realizado.

Segundo uma corretora que acompanhou a negociação, um homem demonstrou interesse pelo imóvel e se apresentou como comprador. O proprietário, que atua na área jurídica, iniciou os procedimentos para elaboração do contrato enquanto aguardava a emissão das certidões no Cartório de Registro de Imóveis.

Durante esse período, o suposto comprador pediu autorização para entrar no condomínio e visitar o terreno.

A movimentação passou a levantar suspeitas quando outros corretores chegaram ao local acompanhando clientes e perceberam que o homem já estaria oferecendo o mesmo imóvel para terceiros, apesar de a aquisição ainda não ter sido formalizada.

Negociação não havia sido concluída

Até o momento em que a fraude foi identificada, não havia pagamento nem aquisição formalizada do terreno pelo suposto comprador.

Mesmo assim, fotos produzidas pela corretora durante a negociação teriam sido utilizadas em anúncios publicados em plataformas digitais. O imóvel aparecia sendo oferecido por um valor inferior ao praticado no mercado, estratégia que poderia aumentar o interesse de possíveis compradores.

A situação foi descoberta antes que qualquer transferência financeira fosse realizada, evitando que a negociação avançasse para uma possível etapa de prejuízo financeiro.

A demora natural provocada pela emissão das certidões e pela formalização contratual acabou permitindo que a movimentação fosse identificada.

Como funcionaria o golpe

De acordo com o relato da corretora ao PB Agora, a suspeita é de que os fraudadores utilizem documentos e imagens de imóveis verdadeiros para criar a aparência de que já possuem a propriedade ou autorização para negociá-la.

Depois, o imóvel seria anunciado para terceiros por um preço considerado atrativo, geralmente abaixo do valor de mercado.

A estratégia teria como objetivo despertar a sensação de oportunidade e acelerar a negociação antes que o possível comprador consiga verificar a documentação e confirmar quem é efetivamente o proprietário.

A corretora resumiu o risco da seguinte maneira:

“Quem vai cair no golpe é esse outro cliente que vai querer comprar porque está muito barato e vai dar uma entrada de R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil”, afirmou.

Anúncios abaixo do mercado chamam atenção

A oferta de imóveis por valores muito inferiores aos praticados na região aparece como um dos principais elementos de alerta no caso.

Para o consumidor, uma oportunidade com preço significativamente abaixo do mercado pode parecer vantajosa. No entanto, a diferença expressiva de valor também pode ser utilizada como mecanismo para pressionar uma decisão rápida.

Em negociações imobiliárias de alto valor, a verificação da propriedade, da documentação e da identidade de quem está oferecendo o imóvel deve ocorrer antes de qualquer pagamento ou assinatura de compromisso.

Caso foi levado à polícia

A corretora informou que registrou um Boletim de Ocorrência a pedido do proprietário do terreno.

Segundo ela, outros profissionais do mercado imobiliário também teriam procurado a Delegacia Especializada de Defraudações de João Pessoa para relatar situações consideradas semelhantes.

A reportagem também menciona relatos de casos parecidos no Condomínio das Américas, localizado no mesmo bairro. Conforme a corretora, as suspeitas envolvendo essas situações poderiam representar prejuízos de até R$ 1,5 milhão.

Os valores, entretanto, estão relacionados às suspeitas relatadas e não representam, necessariamente, prejuízos já comprovados judicialmente.

Corretores também podem ser vítimas

Um dos pontos de atenção levantados pela profissional é o risco de que corretores sejam utilizados pelos próprios fraudadores sem perceberem a irregularidade.

A estratégia pode começar com anúncios publicados em plataformas digitais. O suposto interessado entra em contato com um corretor, afirma possuir um cliente e apresenta informações ou imagens de um imóvel verdadeiro.

Sem conhecimento da fraude, o profissional pode acabar participando da negociação e ajudando a aproximar o criminoso de uma possível vítima.

“É muito fácil alguém pesquisar no OLX, na plataforma do Viva Real, ver que tem um terreno abaixo do mercado, entrar em contato com o número de telefone que está lá, dizer que tem um cliente e até o corretor também ser vítima”, afirmou a corretora ao jornalista Candido Nobrega.

Condomínios também entram no radar de prevenção

Embora a negociação imobiliária ocorra entre proprietários e compradores, o caso também chama atenção para os procedimentos de segurança dentro dos condomínios.

A entrada de uma pessoa interessada em visitar um terreno ou unidade pode ocorrer antes da formalização de uma venda. Por isso, o controle de acesso e o registro de visitantes podem contribuir para a identificação de movimentações suspeitas.

Em empreendimentos de alto padrão, nos quais terrenos e imóveis podem alcançar valores elevados, protocolos de acesso e comunicação com proprietários e corretores assumem importância adicional.

Documentação deve ser verificada

A principal medida preventiva em uma negociação imobiliária é confirmar a titularidade e a situação jurídica do imóvel antes de qualquer pagamento.

Certidões, matrícula atualizada, identificação do proprietário e documentos relacionados à negociação devem ser conferidos por meios oficiais.

Também é importante verificar se a pessoa que apresenta o imóvel possui efetivamente autorização para comercializá-lo e se os dados apresentados no anúncio correspondem à documentação oficial.

Pressa pode favorecer o fraudador

Outro fator de risco é a tentativa de acelerar a negociação com base na suposta oportunidade financeira.

Um imóvel anunciado muito abaixo do preço praticado na região pode levar o interessado a realizar rapidamente um pagamento para não perder o negócio.

A recomendação é justamente evitar decisões impulsivas diante de ofertas consideradas excepcionais. Quanto maior o valor envolvido, maior deve ser o cuidado com a conferência documental e a identificação das partes.

Caso reforça alerta no mercado imobiliário

A suspeita registrada em João Pessoa evidencia como golpes imobiliários podem utilizar informações verdadeiras para construir uma negociação falsa.

O uso de imagens reais, localização verdadeira e características legítimas do imóvel pode dificultar a percepção da fraude por parte de um comprador que não tenha acesso à documentação completa.

Por isso, a aparência de autenticidade de um anúncio não é suficiente para comprovar que a negociação é legítima.

Segurança exige participação de todos

A prevenção de fraudes imobiliárias depende da atuação conjunta de proprietários, compradores, corretores, administradoras e condomínios.

Proprietários devem acompanhar quem demonstra interesse em seus imóveis e ter atenção ao compartilhamento de documentos e imagens. Corretores precisam confirmar a origem das informações recebidas antes de apresentar uma oportunidade a clientes.

Já os compradores devem evitar pagamentos antecipados sem a confirmação da propriedade e da regularidade documental.

No caso relatado em João Pessoa, a formalização da negociação e a necessidade de emissão das certidões deram tempo para que a movimentação suspeita fosse percebida antes de qualquer transferência financeira.

A ocorrência reforça um alerta para o mercado imobiliário: preço muito abaixo do mercado, pressão para fechar rapidamente e documentação que não pode ser confirmada são sinais que exigem atenção redobrada, especialmente em negociações envolvendo imóveis de alto valor.




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