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Polícia faz perícia em condomínio onde elevador despencou e deixou mãe e dois filhos feridos

Acidente ocorreu em maio, no Altiplano, em João Pessoa; investigação criminal começou após registro de boletim de ocorrência e busca apontar possíveis responsabilidades

G1
Polícia faz perícia em condomínio onde elevador despencou e deixou mãe e dois filhos feridos Reprodução

Polícia faz perícia em condomínio onde elevador despencou e deixou mãe e dois filhos feridos

A Polícia Civil realizou nesta terça-feira (1º) uma perícia no condomínio residencial onde um elevador despencou do terceiro andar, no bairro do Altiplano, em João Pessoa, na Paraíba. O acidente aconteceu em maio e deixou uma mulher e seus dois filhos feridos.

A perícia começou por volta das 9h e contou com dois peritos e uma equipe de apoio. O trabalho incluiu o registro fotográfico da estrutura e do equipamento envolvido no acidente, que permanece interditado desde a ocorrência.

Segundo o delegado Paulo Josafá, responsável pela investigação, o caso inicialmente estava sendo tratado na esfera cível. O registro de um boletim de ocorrência ocorreu apenas nas últimas duas semanas, quando a Polícia Civil iniciou as diligências na esfera criminal.

A investigação ainda não aponta uma causa definitiva para a queda. De acordo com a Polícia Civil, será necessário aguardar os resultados da perícia para verificar se houve falha na manutenção, problema técnico ou outra circunstância relacionada ao acidente.

Os demais elevadores do residencial também permanecem interditados. A medida, além de preservar a segurança dos moradores, permite que novos exames sejam realizados caso a investigação identifique a necessidade de uma perícia complementar.

O próximo passo será ouvir testemunhas e pessoas envolvidas na rotina de manutenção e administração dos equipamentos. Entre os que deverão prestar esclarecimentos estão o síndico e representantes da empresa responsável pela manutenção dos elevadores.

A moradora que estava na cabine com os dois filhos também deverá ser ouvida. Ela foi a vítima que apresentou as consequências mais graves e, segundo a Polícia Civil, já recebeu alta médica e está em recuperação.

O acidente ocorreu quando a cabine despencou do terceiro andar até o fosso do elevador. A mulher estava acompanhada de duas crianças, de 3 e 5 anos. Após a queda, as vítimas ficaram presas no equipamento e foram inicialmente socorridas por moradores do próprio condomínio, antes da chegada do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A ocorrência também trouxe à tona um histórico anterior de problemas nos elevadores do empreendimento. Segundo informações apresentadas no processo movido pelo condomínio contra a construtora, moradores já haviam relatado travamentos, interrupções, falhas em sistemas de segurança e outros problemas nos equipamentos desde a entrega do residencial, em 2023.

Em janeiro de 2025, uma decisão judicial determinou a substituição integral dos elevadores, mas a construtora recorreu e o processo continuou em tramitação. O condomínio também contratou uma empresa para elaborar um laudo próprio sobre as condições dos equipamentos.

Um documento técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 havia apontado diversas inconformidades no elevador do Bloco B, justamente onde ocorreu o acidente. Entre os problemas mencionados estavam ausência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, problemas de ventilação, falta de dispositivos de resgate emergencial e outras inadequações relacionadas à segurança.

O mesmo laudo recomendou a substituição completa do equipamento e classificou como de alta prioridade uma irregularidade relacionada à máquina de tração, apontada no documento como incompatível com a capacidade da estrutura e com as normas de segurança.

A existência dessas informações anteriores, entretanto, não significa que a causa do acidente já esteja determinada. A investigação policial deverá analisar documentos, depoimentos, condições do equipamento e registros de manutenção antes de apontar eventual responsabilidade.

A definição também poderá envolver diferentes agentes. Dependendo das conclusões técnicas, a apuração poderá considerar a atuação do condomínio, da empresa responsável pela manutenção, da construtora ou de outros envolvidos na instalação e conservação dos equipamentos.

A construtora, por sua vez, afirmou que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os elevadores, passa a ser do condomínio após o início da utilização pelos moradores. A empresa também informou estar à disposição das autoridades e da administração condominial para colaborar com as investigações.

O caso reforça uma questão fundamental para a gestão condominial: manutenção de elevadores não deve ser tratada apenas como uma despesa operacional, mas como um componente essencial da segurança do empreendimento.

Além da contratação de empresa especializada, a administração precisa manter registros dos serviços realizados, inspeções, chamados técnicos, substituições de componentes e eventuais falhas identificadas no funcionamento dos equipamentos.

Quando problemas recorrentes são registrados, a documentação dessas ocorrências também pode ser relevante para demonstrar quais providências foram adotadas pelo condomínio e quais respostas foram apresentadas pelos responsáveis pela manutenção ou pela construção.

A situação do condomínio no Altiplano mostra ainda a importância de não normalizar falhas frequentes em equipamentos de transporte vertical. Travamentos, paradas inesperadas, ruídos incomuns ou problemas nos sistemas de segurança devem ser comunicados e avaliados tecnicamente, especialmente quando se repetem.

Enquanto a investigação continua, os elevadores permanecem interditados e o condomínio deverá aguardar os resultados dos exames técnicos. O laudo policial tem previsão de conclusão em aproximadamente 30 dias.

Mais do que esclarecer as causas de um acidente específico, a perícia poderá contribuir para definir responsabilidades e identificar eventuais falhas que precisam ser corrigidas. Para síndicos e administradoras, o episódio reforça que segurança de elevadores exige manutenção preventiva, documentação, acompanhamento técnico e resposta imediata diante de qualquer sinal de irregularidade.




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