Taxa de condomínio sobe acima da inflação e pressiona o orçamento dos moradores, aponta pesquisa
Levantamento indica alta média de 25% acima da inflação entre 2022 e 2025; especialistas explicam causas, regras legais e alternativas para equilibrar as contas
Taxa de condomínio sobe acima da inflação e pesa no orçamento dos moradores, aponta pesquisa
A taxa de condomínio tem registrado aumentos superiores à inflação nos últimos anos, impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras. Segundo uma pesquisa nacional, entre 2022 e 2025, os valores cobrados pelos condomínios subiram, em média, 25% acima da inflação, o que tem gerado preocupação entre moradores e gestores.
O tema foi debatido no quadro Meu Condomínio Tem Solução, que reuniu especialistas para explicar os motivos dos reajustes, como eles são calculados e quais alternativas podem ser adotadas para equilibrar as contas sem comprometer a manutenção e a segurança dos empreendimentos.
De acordo com o advogado condominial Carlos Silveira, o reajuste da taxa condominial é uma prática prevista em lei e deve ocorrer, preferencialmente, de forma anual.
“A convenção e o Código Civil determinam que o síndico apresente uma previsão orçamentária todos os anos. É nessa previsão que são levantados todos os custos do condomínio, como folha salarial, energia elétrica, água, manutenção de elevadores e contratos de serviços”, explicou.
O especialista destaca que não há como manter a taxa congelada por longos períodos.
“Os contratos são reajustáveis, os salários dos funcionários sobem, as tarifas públicas aumentam. Se não houver reajuste, o condomínio acaba acumulando problemas e, mais cedo ou mais tarde, o impacto vem de forma mais pesada”, afirmou.
Segundo ele, aumentos expressivos, como os 25% registrados em alguns casos, geralmente ocorrem em condomínios que passaram anos sem correções.
Outro ponto abordado foi o fundo de reserva, que deve corresponder, em média, de 5% a 10% da taxa ordinária. Esse recurso, no entanto, não pode ser utilizado para despesas mensais comuns, sendo destinado a gastos extraordinários ou emergenciais.
“Quando o condomínio usa o fundo de reserva para cobrir despesas ordinárias, algo está errado no planejamento”, alertou Silveira.
A síndica Michelle Nascimento reforçou que a taxa condominial é essencial para garantir o funcionamento e a valorização do patrimônio.
“Ela é o alicerce de toda a estrutura do condomínio. Segurança, manutenção preventiva, sistemas de incêndio, elevadores, bombas e áreas comuns dependem desse recurso. Não é opcional, é obrigatória”, destacou.
Michelle também ressaltou a importância da transparência e da comunicação com os moradores.
“Essas informações precisam ser apresentadas desde o momento em que a pessoa entra no condomínio e, principalmente, nas assembleias. Assim, evita-se a sensação de surpresa com reajustes ou cobranças”, disse.
Durante o debate, foi esclarecido que a taxa de condomínio é calculada com base na previsão orçamentária, apresentada pelo síndico e pela administradora em assembleia. Caso os moradores não aprovem o reajuste, o condomínio pode enfrentar dificuldades financeiras.
“Sem a aprovação, o síndico acaba tendo que cortar manutenções essenciais, o que compromete o funcionamento e a segurança do prédio”, explicou o advogado.
Outro tema que gerou dúvidas foi a cobrança de taxa extra, especialmente para o pagamento do 13º salário dos funcionários. Segundo Silveira, essa prática é inadequada.
“O 13º é uma despesa previsível e deve estar incluída na previsão orçamentária anual. Criar taxa extra todos os anos para isso é sinal de falha no planejamento”, afirmou.
Como alternativa para aliviar o peso da taxa condominial, Michelle Nascimento apontou estratégias para aumentar a arrecadação do condomínio.
“Aluguel de salões, cessão de espaços para conveniências, locação de áreas comerciais e até a compra de energia fora do mercado tradicional são medidas que ajudam a gerar receita e reduzir despesas”, explicou.
Apesar das soluções, o aumento da taxa de condomínio ocorre em um cenário de elevação generalizada do custo de vida, com despesas como IPTU, água, energia e alimentação pressionando ainda mais os orçamentos familiares. Para muitos moradores, o encarecimento da vida em condomínio tem dificultado a permanência nesses espaços, tradicionalmente vistos como mais seguros e organizados.
A expectativa, segundo especialistas, é que com planejamento, transparência e gestão eficiente, os reajustes sejam mais equilibrados e previsíveis, evitando aumentos bruscos e garantindo a sustentabilidade financeira dos condomínios.

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