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Carros elétricos em condomínios exigem novas regras e acendem alerta sobre segurança nas garagens

Especialistas orientam síndicos e moradores sobre instalação de carregadores, divisão de custos e riscos de ligações irregulares

G1
Carros elétricos em condomínios exigem novas regras e acendem alerta sobre segurança nas garagens Imagem ilustrativa

Carros elétricos em condomínios: regras, segurança e como instalar carregadores sem gerar multas

O crescimento da frota de veículos elétricos no Brasil começou a transformar também a rotina dos condomínios residenciais. Cada vez mais presentes nas garagens dos prédios, os carros elétricos trouxeram novas demandas para síndicos, administradoras e moradores, especialmente relacionadas à instalação de carregadores, divisão do consumo de energia e adequação da infraestrutura elétrica dos empreendimentos.

Com a expansão desse mercado, especialistas alertam que improvisos e instalações irregulares podem representar sérios riscos à segurança dos condomínios, incluindo possibilidade de curto-circuito, sobrecarga elétrica e incêndios.

Em entrevista ao quadro “Chama o Síndico”, do programa Bom Dia Rio Grande, especialistas explicaram como os condomínios devem lidar com essa nova realidade e quais cuidados precisam ser adotados para evitar conflitos e acidentes.

Segundo a síndica profissional Ana Firpo, os condomínios atualmente vivem três cenários distintos quando o assunto é veículos elétricos:

  • Prédios preparados: empreendimentos mais novos que já foram entregues com infraestrutura para instalação de carregadores;
  • Prédios adaptáveis: condomínios que não possuem estrutura pronta, mas conseguem receber adaptações elétricas;
  • Prédios antigos: edificações sem capacidade elétrica adequada e que precisam de projetos completos de modernização da rede.

A especialista explica que o primeiro passo para qualquer morador interessado em instalar um carregador é procurar formalmente o síndico e apresentar um projeto técnico adequado.

O diretor de condomínios Eduardo Difini destaca que o entendimento jurídico sobre o tema evoluiu nos últimos anos. Segundo ele, atualmente o síndico não pode simplesmente proibir a instalação de carregadores sem justificativa técnica relevante.

“A negativa só pode ocorrer em situações muito específicas, como limitações severas da rede elétrica ou riscos à segurança da edificação”, explicou.

No entanto, a autorização depende do cumprimento de exigências técnicas rigorosas, entre elas:

  • apresentação de laudo técnico;
  • emissão de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica);
  • projeto assinado por engenheiro eletricista;
  • utilização de equipamentos certificados;
  • análise da capacidade da rede elétrica do prédio.

Em muitos casos, a ligação do carregador é feita diretamente no relógio de energia da unidade do próprio morador, permitindo que ele arque individualmente com o consumo do veículo.

Já em condomínios onde não existe estrutura suficiente para diversos carregadores individuais, alguns empreendimentos passaram a adotar carregadores coletivos compartilhados em áreas comuns.

Nesse modelo, o equipamento funciona integrado a aplicativos e sistemas automatizados de cobrança. O morador utiliza o carregador mediante cadastro e o valor consumido é posteriormente ressarcido ao condomínio pela empresa operadora do sistema.

O tema também acendeu um alerta importante relacionado ao uso irregular de tomadas comuns das áreas coletivas para recarga de veículos.

De acordo com Ana Firpo, essa prática é extremamente perigosa e não deve ser realizada em hipótese alguma.

Além do aumento indevido no consumo de energia das áreas comuns — pago por todos os condôminos — tomadas convencionais geralmente não possuem estrutura adequada para suportar a carga elétrica exigida por veículos elétricos durante longos períodos.

Especialistas alertam que improvisos, extensões elétricas e adaptações conhecidas popularmente como “gambiarras” representam risco elevado de superaquecimento e incêndio.

Entre os principais cuidados recomendados estão:

  • proibição do uso de extensões improvisadas;
  • avaliação da ventilação e umidade da garagem;
  • análise da capacidade elétrica do condomínio;
  • contratação de profissionais habilitados;
  • utilização de equipamentos certificados;
  • fiscalização constante das instalações.

O descumprimento das normas pode gerar advertências, multas e outras penalidades previstas na convenção condominial e no regimento interno do prédio.

A expansão dos carros elétricos também reacende discussões sobre modernização da infraestrutura predial, atualização das convenções condominiais e necessidade de planejamento técnico para atender uma demanda que cresce rapidamente em condomínios de todo o país.




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