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São Paulo registra média de 13 condomínios invadidos por dia

Quadrilhas usam engenharia social, clonagem de acessos e falhas em portarias para entrar em prédios e praticar furtos e roubos

R7
São Paulo registra média de 13 condomínios invadidos por dia Reprodução

Na mira dos criminosos: São Paulo registra média de 13
condomínios invadidos por dia

Apesar da busca por segurança levar famílias a trocarem
casas por apartamentos, quadrilhas adaptam táticas e usam o
"convencimento" para burlar sistemas de portaria e invadir
residências.

São Paulo — A promessa de segurança, tranquilidade e
paz tem levado cada vez mais famílias a abandonarem bairros de casas e migrarem
para condomínios verticais em São Paulo. No entanto, um levantamento
surpreendente revela que essa percepção de proteção muitas vezes não passa de
uma ilusão: em média, 13 condomínios são invadidos diariamente na capital
paulista. Os dados mostram que, a cada duas horas, um prédio é alvo da ação de
criminosos.

Para muitos moradores, a infraestrutura dos prédios é o
principal atrativo. "Eu tenho um filho e é bem melhor pela segurança. Tem
um porteiro lá que está sempre monitorando quem entra e sai, tem câmeras na
frente do prédio, reconhecimento facial", relata uma moradora. No entanto,
a realidade mostrada pelos números e pelas câmeras de segurança desafia essa
confiança.

A principal arma: o "convencimento"

Diferente de assaltos violentos nas ruas, a principal
"arma" utilizada pelas quadrilhas para invadir condomínios é o
convencimento. Aproveitando-se de vulnerabilidades e falhas humanas, os
criminosos costumam se passar por moradores ou parentes para conseguir a
liberação nas portarias.

Uma vez dentro das dependências do condomínio, eles circulam
tranquilamente pelos corredores, verificam quais apartamentos estão vazios,
realizam o furto e saem pela porta da frente sem levantar suspeitas. Além da
engenharia social, os bandidos também recorrem à tecnologia, clonando controles
de acesso, ou à força bruta, quebrando os portões das garagens para conseguir
entrar.

Segundo o advogado especialista na área, Clóvis Ferreira, a
mudança no perfil dos crimes tem uma explicação econômica. "Hoje, em razão
da dificuldade de conseguir dinheiro em espécie nas ruas, os ladrões estão
migrando para o roubo e o furto em condomínios residenciais e até comerciais.
Isso se deve ao fato de que ainda existem muitas vulnerabilidades nos
condomínios de um modo geral, seja na portaria principal, na de serviços ou nas
garagens", explica.

Tecnologia e treinamento como resposta

Para tentar triplicar a dificuldade para os criminosos,
condomínios estão investindo pesado em sistemas de segurança privada. A aposta
mais certeira tem sido a união entre treinamento de equipe e tecnologia de
ponta.

Em um prédio de São Paulo que nunca registrou nenhuma
ocorrência de invasão, o segredo está nas múltiplas camadas de proteção. O
síndico Roberto Moura explica a estratégia: "É uma junção de tudo:
treinamento, conscientização do próprio usuário e tecnologia. Eu não posso
depender de um fator único, preciso ter formas de mitigar e diminuir a
possibilidade de uma ocorrência".

Neste condomínio, o sistema de garagem é rigoroso. Quando um
veículo chega, há a identificação da placa. Porém, ao entrar na área de
clausura (espaço entre dois portões), um sistema de reconhecimento facial é
ativado. Se o rosto do motorista não for identificado e autorizado pelo
sistema, o segundo portão simplesmente não abre.

O que dizem os dados oficiais

Apesar da alta frequência de casos específicos em prédios, a
Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo afirma que o
cenário geral de roubos a residências apresentou queda. Segundo o órgão, houve
uma redução de pouco mais de 20% nesses crimes no Estado, e de 26,5% na
capital, no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do
ano passado.

Na prática, porém, o crime migrou e se especializou. Entre
janeiro e junho de 2026, a média de 13 ocorrências por dia de roubo ou furto em
condomínios se manteve constante.

Com o horizonte de São Paulo cada vez mais tomado por novos
prédios em construção, a tendência é que a migração das famílias para
apartamentos continue. O desafio agora é garantir que os protocolos de
segurança e a conscientização dos moradores evoluam na mesma velocidade que a
audácia dos invasores.




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