Condomínio do Minha Casa Minha Vida em Mossoró acumula dívida milionária com a Caern e vira caso de Justiça

Gestão do Residencial Mossoró II é alvo de denúncias por má administração, falta d’água e dívidas que ultrapassam R$ 880 mil; moradores contestam cobrança de taxa de esgoto e contratos com administradora.

Blog do Barreto
Condomínio do Minha Casa Minha Vida em Mossoró acumula dívida milionária com a Caern e vira caso de Justiça Foto: Reprodução

Dívida de quase R$ 900 mil com a Caern e denúncias de má gestão transformam sonho da casa própria em pesadelo em condomínio de Mossoró

Mossoró (RN) – O que deveria ser um marco de conquista e estabilidade para famílias beneficiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida se tornou um verdadeiro pesadelo no Condomínio Residencial Mossoró II. Com dívidas que já ultrapassaram R$ 882 mil junto à Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), a gestão do condomínio enfrenta uma crise administrativa sem precedentes, marcada por denúncias, ações judiciais, falta d’água e insatisfação generalizada entre os moradores.

A dívida com a Caern, acumulada entre 2021 e 2025, gerou cobranças judiciais por parte da estatal, ao mesmo tempo em que o síndico Francisco Jardel da Silva Araújo move ação contestando a suposta cobrança indevida da taxa de esgoto. A situação se agrava com a composição da taxa condominial, que chega a R$ 205,19 por unidade, incluindo R$ 58,02 para água, R$ 24,00 para gás e R$ 123,17 para manutenção do condomínio.


Moradores afirmam que o condomínio deveria estar beneficiado com a tarifa popular de R$ 36,17, que já incluiria o serviço de esgoto. A arrecadação mensal, somente com a parte destinada à água, chega a R$ 17.400,00, o que levanta questionamentos sobre a destinação e gestão desses valores.


Apesar das dívidas acumuladas, o condomínio mantém contratos com a empresa P&A Administradora de Condomínios, no valor de cerca de R$ 10 mil mensais. Entre 2021 e 2024, devido aos cortes no fornecimento de água pela Caern, foram gastos R$ 170 mil com o serviço de carro pipa – um montante que poderá ser judicializado para ressarcimento, conforme aprovado em assembleia.

A polêmica se intensifica com a presença da empresa Garante Potiguar Serviços Condominiais, responsável pela cobrança das dívidas dos moradores. O síndico alega que os valores recuperados pela empresa foram utilizados para amortizar a dívida com a Caern, garantindo fluxo de caixa. Segundo Jardel, a dívida atual está em R$ 629 mil e foi parcelada em 100 vezes, com R$ 200 mil já quitados somente neste ano.

A inadimplência também preocupa: 136 dos 300 apartamentos estão em débito, o que representa aproximadamente 45% de inadimplência em determinado período. O síndico também responsabiliza a Caern por não enviar o volume total de água previsto em contrato. "Deveriam ser enviados 3 mil metros cúbicos por mês, mas têm enviado 2.700, e em alguns casos menos de 1.500", afirmou ao Blog do Barreto.

Para Jardel, a crise ganhou contornos políticos. Segundo ele, uma chapa formada por moradores inadimplentes tentou disputar a gestão condominial e, ao ser impedida por questões legais, passou a atacar a administração. “É uma questão política. Eles não regularizaram a situação e levaram para o lado pessoal”, declarou.

Uma reunião de esclarecimento com os condôminos está marcada para o próximo sábado, quando o síndico promete apresentar todos os detalhes e esclarecimentos sobre a atual situação financeira e administrativa do Residencial Mossoró II.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login