Demanda por síndicos profissionais cresce no Brasil e deve avançar até 30% nos próximos anos
Com a queda no interesse de moradores em assumir a gestão dos prédios, cresce a profissionalização da função; remuneração pode chegar a R$ 5 mil por condomínio e cursos ganham força em várias regiões do país.
Foto: Reprodução A procura por síndicos profissionais vem crescendo de forma acelerada em diversas regiões do Brasil, impulsionada pela queda no interesse dos próprios moradores em assumir a administração dos condomínios. A tendência, segundo especialistas, é de que o setor avance entre 25% e 30% nos próximos cinco anos, consolidando a profissionalização da função e abrindo novas oportunidades de trabalho.
Em Passo Fundo, Roberto Basso é um exemplo dessa realidade. Após se aposentar do serviço público, aceitou o desafio de administrar o prédio onde mora, localizado na área central da cidade. Hoje, ele é responsável pelo planejamento e execução de um orçamento mensal de R$ 45 mil, além de coordenar demandas de quase 200 moradores.
Basso integra a categoria dos síndicos orgânicos — aqueles que residem no condomínio onde atuam — ainda a mais comum no país. Contudo, dados recentes mostram que essa modalidade vem perdendo espaço: há dez anos, 94% dos condomínios tinham síndicos moradores; atualmente, o índice é de 80%.
“Sou síndico 24 horas por dia. É preciso lidar com finanças, harmonizar pessoas e solucionar problemas”, descreveu.
A crescente complexidade da gestão condominial tem impulsionado um novo mercado: o de cursos de formação para síndicos profissionais. As capacitações abordam temas como obrigações legais, prevenção contra incêndios, segurança, comunicação, comportamento e até psicologia condominial — áreas essenciais em estruturas que funcionam, na prática, como pequenas empresas.
Segundo o administrador de condomínios César Mühl, a pandemia acelerou esse processo.
“O síndico morador não tem mais tempo para exercer a atividade, então o profissional vem crescendo muito. É um mercado novo e em franca expansão”, afirmou.
Ele destaca que, além do conhecimento técnico, o síndico precisa ser responsável, organizado e compreender profundamente temas administrativos, já que a gestão condominial exige decisões estruturais e estratégicas.
A remuneração também atrai novos profissionais: enquanto síndicos orgânicos nem sempre recebem pelo trabalho — e quando recebem, o valor costuma ser baixo — os síndicos profissionais ganham, em média, R$ 2.500 por prédio, podendo chegar a R$ 5 mil conforme a experiência e o porte do condomínio.
Carlos Giugno atua há seis anos como síndico profissional e hoje administra oito condomínios. Para ele, o relacionamento interpessoal é um dos elementos mais importantes da função.
“É uma ótima oportunidade para quem gosta dessa rotina e tem habilidade com pessoas”, ressaltou.
Além das responsabilidades tradicionais, os síndicos atuais precisam lidar com novas demandas tecnológicas, como sistemas de portaria remota, monitoramento digital, serviços terceirizados e plataformas de gestão online — elementos que aumentam a segurança, mas exigem domínio técnico e comunicação eficiente.
Para o setor condominial, o avanço da profissionalização traz impactos positivos: mais transparência, eficiência administrativa, prevenção de riscos e redução de conflitos internos. O cenário aponta para um futuro em que a gestão amadora tende a ser substituída por uma atuação cada vez mais técnica, especializada e alinhada às exigências de um ambiente coletivo cada vez mais complexo.


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