Novas imagens reforçam suspeita de feminicídio em condomínio após queda de mulher de prédio em São Paulo
Gravações inéditas divulgadas pelo Fantástico mostram agressões e perseguição momentos antes da morte de Katiane Gomes
Foto: Reprodução Novos desdobramentos no caso da morte de Katiane Gomes da Silva trouxeram elementos que reforçam a linha de investigação por feminicídio. Imagens inéditas de câmeras de segurança, divulgadas pelo programa Fantástico, reconstituem a sequência de acontecimentos na última madrugada da vítima, antes de ela cair do décimo andar de um prédio residencial em São Paulo.
As gravações mostram Katiane chegando ao condomínio acompanhada do então companheiro, Alex Leandro Bispo, de 40 anos, que está preso preventivamente. Logo após a chegada, a mulher desce do veículo, corre pela garagem e tenta se esconder atrás de uma pilastra, comportamento que, segundo investigadores, indica uma tentativa de fuga.
Em seguida, Alex sai do carro e passa a procurá-la pelo local. Katiane consegue entrar sozinha em um elevador e sobe para o apartamento. Pouco depois, ele utiliza outro elevador e também segue para a unidade. De acordo com a Polícia Civil, testemunhas relataram ruídos intensos vindos do interior do apartamento, e a perícia identificou danos no banheiro, com indícios de arrombamento da porta.
Outro trecho das imagens mostra Katiane novamente na garagem do prédio. Nessa sequência, Alex aparece segurando a mulher pelo pescoço, ela cai no chão e é agredida. Em seguida, ele a empurra para dentro do elevador, e os dois retornam ao apartamento.
Minutos depois, as câmeras registram Alex descendo sozinho. Ele aparenta estar em estado de choque, coloca as mãos na cabeça e se agacha. Pouco tempo depois, Katiane é encontrada caída na garagem do condomínio. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.
A defesa de Alex sustenta que Katiane teria caído sozinha e afirma que imagens internas do apartamento mostrariam a mulher correndo em direção à varanda. A Polícia Civil, no entanto, avalia que os novos registros reforçam a hipótese de feminicídio, especialmente diante da sequência de agressões flagrada pelas câmeras.
O caso reacende o debate sobre violência doméstica em condomínios e a importância de protocolos de prevenção, atenção a comportamentos de risco e atuação rápida de moradores, funcionários e síndicos. Especialistas lembram que a omissão diante de episódios de violência também pode configurar infração, conforme previsto na Lei Maria da Penha.
As investigações seguem em andamento, e novos elementos técnicos e periciais devem ser analisados nos próximos dias para esclarecer as circunstâncias da morte.


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