Projeto na Bahia pode garantir recarga de carros elétricos em condomínios
Proposta em análise na Assembleia Legislativa prevê direito de moradores instalarem pontos de recarga em vagas privativas seguindo normas técnicas e de segurança
Imagem ilustrativa A crescente expansão dos veículos elétricos no Brasil tem impulsionado debates sobre infraestrutura de recarga em edifícios residenciais e comerciais. Na Bahia, um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Estado (Alba) pode garantir aos moradores o direito de instalar pontos de recarga para carros elétricos e híbridos em condomínios.
A proposta, registrada como Projeto de Lei nº 26.171/2026, foi apresentada pelo deputado estadual Antônio Henrique Júnior (PP) e busca regulamentar a instalação de carregadores em vagas de garagem privativas. O objetivo é reduzir conflitos entre moradores e administrações condominiais e acompanhar o avanço da mobilidade elétrica no estado.
Direito de instalar carregadores
De acordo com o texto do projeto, os condôminos interessados poderão instalar a infraestrutura de recarga em suas vagas individuais, desde que arquem com todos os custos relacionados à obra, equipamentos, manutenção e consumo de energia elétrica.
A proposta também estabelece que a convenção do condomínio não poderá impedir a instalação do equipamento sem justificativa técnica ou de segurança devidamente comprovada. Caso haja recusa sem fundamentação adequada, o morador poderá recorrer aos órgãos públicos competentes.
Regras técnicas e segurança
Para evitar riscos nas edificações, a proposta determina que a instalação dos pontos de recarga siga normas técnicas específicas. Entre as exigências estão a apresentação de projeto técnico, emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e laudo que comprove a compatibilidade da carga elétrica do prédio.
O projeto também proíbe o uso de tomadas residenciais comuns para carregar veículos nas garagens, prática considerada perigosa por poder gerar aquecimento excessivo e curtos-circuitos. Em vez disso, a recarga deverá ocorrer por meio de estações dedicadas, equipadas com sistemas de proteção térmica e interrupção automática de corrente.
Custos e responsabilidade
Outro ponto relevante da proposta é a definição de responsabilidades financeiras. O morador que optar por instalar o carregador deverá custear toda a estrutura necessária e também instalar um medidor individual para que o consumo de energia não seja dividido entre os demais condôminos.
Além disso, o proprietário do equipamento assumirá responsabilidade civil e criminal por eventuais danos causados ao condomínio em decorrência de falhas no sistema de recarga.
Desafios para prédios antigos
Entre os desafios apontados no projeto está a capacidade elétrica de edifícios mais antigos, que muitas vezes não possuem infraestrutura adequada para suportar múltiplos carregadores simultaneamente.
Como alternativa, o texto sugere soluções tecnológicas como balanceamento dinâmico de carga ou sistemas de recarga sequencial, que distribuem a energia disponível entre os veículos sem exigir grandes reformas estruturais.
Mobilidade elétrica e impacto no setor imobiliário
Segundo o autor do projeto, a proposta busca trazer segurança jurídica para síndicos e administradoras, além de estimular a modernização da infraestrutura imobiliária no estado. A iniciativa também está alinhada às políticas de redução de emissões e incentivo à mobilidade sustentável.
Caso aprovado, o projeto poderá representar um avanço significativo para moradores que possuem veículos elétricos na Bahia, ao estabelecer regras claras para a instalação de pontos de recarga em condomínios e contribuir para a expansão da eletromobilidade no estado.


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