Guerra pressiona construção e setor pede revisão de contratos de infraestrutura
Alta dos insumos leva entidades a alertar governo sobre risco de paralisação de obras e desequilíbrio financeiro
Imagem ilustrativa A escalada dos conflitos internacionais já começa a impactar diretamente a construção civil brasileira. Diante do aumento expressivo nos custos de insumos, entidades do setor solicitaram ao governo federal a revisão de contratos de infraestrutura como medida emergencial.
O pedido foi formalizado por meio de um ofício assinado por dez associações da construção civil — Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias), Apeop (Associação para o Progresso de Empresas de Obras de Infraestrutura Social e Logística), Brasinfra (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações de Classe de Infraestrutura), Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Sicepot-MG, Sicepot-PR, Sicepot-RS e Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada) — encaminhado a diferentes órgãos do governo.
O documento destaca a necessidade de ações urgentes para conter os efeitos da alta de preços e evitar prejuízos generalizados.
Aumento de custos pressiona obras
Segundo as entidades, houve elevação significativa nos preços de materiais essenciais para execução de obras, o que tem provocado desequilíbrio financeiro nos contratos firmados anteriormente, em um cenário econômico diferente.
A nota também alerta que o desarranjo da economia pode provocar um grave desequilíbrio financeiro nos contratos de infraestrutura, especialmente diante dos sucessivos e excepcionais aumentos nos custos dos insumos da construção.
A situação é agravada pelo fato de muitos contratos terem sido assinados em períodos de inflação mais baixa, o que torna inviável a manutenção das condições atuais sem ajustes.
Risco de paralisações e demissões
O setor alerta para consequências graves caso não haja intervenção. Entre os principais riscos estão a paralisação de obras, rescisão de contratos, demissões em massa e até licitações sem interessados.
Além disso, o impacto se estende por toda a cadeia produtiva, afetando fornecedores, transportadores e diversos segmentos ligados à construção.
Impacto na economia
As entidades destacam que a construção civil tem papel estratégico na economia, influenciando mais de 90 setores produtivos e contribuindo diretamente para o crescimento do PIB.
Segundo o documento, as obras de infraestrutura funcionam como um verdadeiro “colchão de garantia” da atividade econômica, reforçando sua importância para a estabilidade e desenvolvimento do país.
Com isso, a crise no setor pode gerar efeitos amplos, comprometendo investimentos públicos e programas habitacionais.
Pedido de medidas emergenciais
Diante do cenário, o setor defende a criação de um normativo temporário que permita a revisão dos contratos de infraestrutura, de forma rápida e justa.
A proposta busca equilibrar os contratos diante das condições excepcionais provocadas pelo cenário internacional e pela alta dos insumos.
Reflexos no setor imobiliário e condominial
Embora o foco seja a infraestrutura, os impactos tendem a atingir também o mercado imobiliário e condominial, com possível aumento nos custos de obras, reformas e novos empreendimentos.
Isso pode refletir diretamente em preços de imóveis, taxas condominiais e investimentos no setor.
Alerta para o setor
O cenário acende um alerta para construtoras, síndicos, incorporadoras e investidores sobre a importância de planejamento financeiro e revisão de contratos diante de cenários econômicos instáveis.


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