Setor da construção se opõe à liberação do FGTS para pagamento de dívidas
Entidades alertam que proposta pode reduzir recursos para habitação e impactar empregos e financiamentos imobiliários
Foto: Unsplash A proposta do governo federal de permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de dívidas tem gerado forte reação do setor da construção civil. Entidades representativas se posicionaram contra a medida, alertando para impactos diretos no financiamento habitacional e na economia.
A discussão foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que informou que a proposta ainda está em análise em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego, sem definição final até o momento.
Para empresários e especialistas do setor, a principal preocupação é que o FGTS representa a maior fonte de recursos para a compra e construção de moradias no Brasil, especialmente por meio do programa Minha Casa Minha Vida.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) manifestou “forte preocupação” com a possibilidade de liberação dos recursos. Segundo a entidade, a medida pode reduzir significativamente o volume disponível para financiamentos habitacionais, afetando principalmente famílias de baixa renda.
No mesmo sentido, o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) também se posicionou contra a proposta, afirmando que a iniciativa pode desvirtuar a finalidade do fundo e comprometer sua função estratégica na economia, especialmente nas áreas de habitação, saneamento e infraestrutura.
Outro ponto de destaque é o impacto no emprego. Segundo o setor, cada investimento realizado com recursos do FGTS em empreendimentos imobiliários gera efeito multiplicador na economia, incluindo a criação de postos de trabalho formais.
Debate envolve combate ao endividamento
A proposta do governo faz parte de um pacote em estudo para reduzir o endividamento das famílias brasileiras, cenário que atinge grande parte da população. A ideia é permitir que trabalhadores utilizem parte do saldo do FGTS para quitar débitos, com possíveis condições facilitadas de renegociação.
No entanto, o uso desses recursos fora da finalidade habitacional gera preocupação no setor produtivo, que teme impactos estruturais no mercado imobiliário e na oferta de crédito para aquisição da casa própria.
Impactos para o setor condominial e imobiliário
Caso avance, a medida pode afetar diretamente o ciclo do mercado imobiliário, reduzindo investimentos em novos empreendimentos e dificultando o acesso ao financiamento habitacional, especialmente para a população de menor renda.
Para especialistas, o equilíbrio entre políticas de combate ao endividamento e a preservação de recursos destinados à habitação será determinante para evitar efeitos negativos em cadeia na economia e no setor condominial.
O debate segue em andamento no governo federal e deve envolver diferentes setores antes de uma decisão definitiva.


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