Sócios de imobiliária são indiciados por desviar mais de R$ 750 mil de condomínios em Porto Alegre
Investigação da Polícia Civil aponta que valores pagos por condomínios administrados pela empresa teriam sido apropriados indevidamente pelos responsáveis pela imobiliária
Foto: Reprodução Sócios de imobiliária são indiciados por suspeita de desviar mais de R$ 770 mil de condomínios em Porto Alegre
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou dois sócios da administradora e imobiliária VenezaUno pelo crime de apropriação indébita, após a conclusão da primeira fase das investigações que apuram um suposto desvio de recursos pertencentes a condomínios administrados pela empresa. Segundo a polícia, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 770 mil e atinge, pelo menos, 17 condomínios, principalmente na Região Metropolitana de Porto Alegre.
As investigações tiveram início no começo de junho, após fornecedores responsáveis pela prestação de serviços aos condomínios procurarem a polícia para denunciar a falta de pagamento pelos serviços executados. A partir dos primeiros boletins de ocorrência, os investigadores identificaram indícios de irregularidades na administração dos recursos financeiros dos empreendimentos.
De acordo com o delegado Raul Vier, responsável pelo caso, além do crime de apropriação indébita, um dos sócios também foi indiciado por falsificação de documentos. Conforme a investigação, ele teria adulterado comprovantes bancários para transmitir aos condomínios a falsa impressão de que pagamentos de despesas e fornecedores estavam sendo regularmente realizados.
A Polícia Civil informou que, nesta etapa da apuração, ainda não foi possível identificar o destino dos valores supostamente desviados. As autoridades destacam, no entanto, que o trabalho investigativo continua e que novas diligências poderão ampliar o número de vítimas e esclarecer completamente a movimentação dos recursos.
Desde que o caso se tornou público, ao menos 70 condomínios registraram boletins de ocorrência contra a VenezaUno, indicando que o número de empreendimentos potencialmente afetados pode ser significativamente maior do que o inicialmente identificado na investigação.
A imobiliária funcionava, até o início de junho, em um prédio comercial localizado na Avenida Cristóvão Colombo, em Porto Alegre. Procurada pela reportagem, a defesa da empresa informou que somente irá se manifestar após ter acesso integral ao processo.
O caso reforça a importância da fiscalização permanente da gestão financeira dos condomínios, com acompanhamento rigoroso das contas bancárias, conferência de comprovantes de pagamento, atuação efetiva dos conselhos fiscais, realização de auditorias independentes e prestação de contas transparente. Especialistas destacam que mecanismos de controle e governança são fundamentais para proteger o patrimônio coletivo e reduzir os riscos de fraudes na administração condominial.


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