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Fim da escala 6x1 pode elevar custos e atrasar obras, alerta CBIC

Setor da construção prevê necessidade de mais trabalhadores, aumento dos custos e impactos no preço dos imóveis caso a jornada seja reduzida sem período de transição

CNN MONEY
Fim da escala 6x1 pode elevar custos e atrasar obras, alerta CBIC Imagem ilustrativa

Fim da escala 6x1 pode elevar custos e atrasar obras, alerta CBIC

O avanço da discussão sobre o fim da escala 6x1 no Congresso Nacional acendeu um alerta entre representantes da construção civil. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) avalia que uma eventual redução da jornada, caso seja implementada sem período de adaptação, poderá elevar os custos das obras, aumentar a necessidade de contratação de trabalhadores e pressionar os prazos de entrega dos empreendimentos.

O tema ganhou novo impulso após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhar propostas relacionadas à redução da jornada para análise das comissões da Casa. A PEC que trata do fim da escala 6x1 deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de eventual votação em Plenário.

Construção civil depende de mão de obra intensiva

Para o setor, um dos principais desafios está na necessidade de compensar a redução das horas trabalhadas sem comprometer a produtividade dos canteiros.

A construção civil possui uma dinâmica diferente de setores em que a redução da jornada pode ser compensada mais facilmente por automação ou reorganização das atividades. Em muitas etapas das obras, a presença de trabalhadores continua sendo essencial para a execução dos serviços.

Estudo realizado pela CBIC estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderia elevar em até 15% os custos com mão de obra na indústria da construção. A entidade também calcula que seriam necessários aproximadamente 288 mil novos trabalhadores para compensar a redução da quantidade de horas trabalhadas.

Empresas projetam aumento no preço dos imóveis

Uma pesquisa realizada pela CBIC com empresas do setor mostra a dimensão da preocupação.

Segundo o levantamento, 88,5% das empresas consultadas preveem aumento no custo da mão de obra caso mudanças na jornada sejam aprovadas. Para 84,5% das empresas, esse aumento poderá chegar ao preço final dos imóveis ou empreendimentos.

O impacto também aparece na produtividade: 82,5% das empresas avaliam que a redução da jornada poderá prejudicar o desempenho das equipes.

Outro ponto relevante está nos prazos. 81,6% das empresas indicaram expectativa de aumento no tempo necessário para concluir as obras.

Contratação adicional pode ser necessária

Uma das alternativas apontadas pelo setor para enfrentar a redução da jornada seria ampliar as equipes.

De acordo com a pesquisa da CBIC, 73,9% das empresas participantes afirmaram que poderá haver necessidade de contratação adicional e ampliação do quadro de trabalhadores.

O problema é que a construção civil já enfrenta dificuldades relacionadas à disponibilidade de mão de obra e à entrada de novos profissionais no setor. Nesse cenário, a contratação em larga escala poderia representar um desafio adicional para as empresas.

A entidade defende que uma eventual mudança seja acompanhada por medidas capazes de estimular produtividade, qualificação profissional e modernização dos processos construtivos.

Prazo das obras entra no centro da discussão

Além do aumento dos custos, a possibilidade de atrasos na execução das obras preocupa incorporadoras e construtoras.

O cronograma de um empreendimento envolve uma cadeia de contratos, financiamento, fornecedores, mão de obra e compromissos com compradores. Qualquer alteração significativa no ritmo de produção pode gerar efeitos em diferentes etapas do projeto.

Para a CBIC, a mudança na jornada precisa considerar essas características e permitir que as empresas tenham tempo para reorganizar equipes, contratos e processos.

A entidade estima que, sem uma transição adequada, a redução da jornada e o fim da escala 6x1 poderiam elevar entre 7% e 10% o custo das obras.

Impacto pode chegar ao mercado imobiliário

O aumento dos custos de construção tende a produzir reflexos sobre toda a cadeia imobiliária.

Caso parte desses custos seja incorporada ao preço final dos empreendimentos, compradores poderão encontrar imóveis mais caros. O impacto pode ser especialmente relevante em projetos voltados à população de menor renda, nos quais as margens são mais estreitas.

A CBIC também chama atenção para possíveis efeitos sobre o Minha Casa, Minha Vida, considerando que o aumento dos custos pode dificultar a produção de unidades dentro das faixas de preço estabelecidas pelo programa.

Para o setor, a discussão sobre jornada precisa, portanto, ser analisada conjuntamente com questões como produtividade, disponibilidade de trabalhadores, industrialização da construção e condições de financiamento.

Transição é defendida pelo setor

A CBIC afirma que não é contrária à discussão sobre redução da jornada de trabalho. A preocupação está na velocidade e na forma de implementação da mudança.

A entidade defende um período de transição que permita às empresas adaptar suas operações, investir em produtividade e reorganizar os processos de trabalho.

Segundo posicionamento divulgado pela instituição, essa adaptação seria especialmente importante diante do cenário de escassez de novos trabalhadores e dos atuais níveis de produtividade do setor.

Produtividade ganha importância

Com uma eventual redução da jornada, a produtividade deverá assumir papel ainda mais estratégico nos canteiros.

A construção civil vem ampliando investimentos em industrialização, sistemas construtivos mais eficientes, tecnologia, planejamento e digitalização. Essas soluções podem ajudar a compensar parte da redução das horas disponíveis, embora a adoção dependa de investimentos e de mudanças nos modelos tradicionais de produção.

Nesse contexto, o debate sobre a escala 6x1 também pode acelerar a busca por processos construtivos mais eficientes e menos dependentes de atividades manuais repetitivas.

Reflexos também interessam aos condomínios

Embora a discussão esteja concentrada na construção civil, os efeitos podem alcançar o mercado condominial.

Empreendimentos entregues com custos mais elevados podem impactar o valor dos imóveis, enquanto eventuais atrasos na conclusão de obras podem alterar cronogramas de entrega e planejamento de novos condomínios.

Além disso, mudanças na legislação trabalhista podem repercutir sobre empresas terceirizadas que atuam em condomínios, dependendo das regras que forem aprovadas e da forma como a jornada será regulamentada.

Por isso, síndicos, administradoras e gestores prediais também devem acompanhar a evolução do debate, especialmente diante de possíveis mudanças nos custos de mão de obra e nos contratos de prestação de serviços.

Debate ainda está em andamento

A proposta de alteração da jornada ainda depende da tramitação legislativa e não representa uma mudança imediata nas regras atualmente aplicadas.

Enquanto o Congresso discute o tema, a construção civil busca demonstrar os possíveis efeitos econômicos da medida e defender mecanismos de transição.

O cenário coloca em lados complementares duas questões relevantes: a busca por melhores condições de trabalho e a necessidade de preservar a produtividade, a capacidade de produção e o acesso à moradia.

Para o mercado imobiliário, o resultado dessa discussão poderá influenciar custos, preços, cronogramas e estratégias de novos empreendimentos nos próximos anos. 




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