Condomínios gigantes no Brasil: tendência e tensões
Série de sucesso e realidade: a ascensão dos megacondomínios e as tensões entre vizinhos no Brasil.
Condomínios Gigantes no Brasil: Tendência e Tensões
Na esteira do sucesso da série "Os Outros", que desvela as tensões em condomínios fechados, o Brasil vivencia o florescimento de mega condomínios como cenários do cotidiano. A trama, que cativou o público da Globoplay, retrata conflitos entre vizinhos em um contexto de crise e violência. Esse enredo, inspirado na realidade, reflete a ascensão dos empreendimentos imobiliários monumentais, onde centenas de apartamentos se erguem em prédios de andares múltiplos.
Essas grandiosas construções, verdadeiros resorts urbanos, são uma tendência inegável em solo brasileiro. Em Belo Horizonte e região, especialmente, proliferam complexos residenciais que aliam praticidade à recreação. Segundo Leonardo Mota, vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), esses megaempreendimentos buscam integrar comodidades que minimizem a necessidade de deslocamento, formando quase "cidades em si".
A febre desses condomínios transcende o presente, com 12 empreendimentos do tipo em fase de construção em BH e Nova Lima. Tamanha é a magnitude deles que juntos ocupam uma área superior a 332 mil m², superando ícones como o Mineirão. Essa tendência extrapola a capital, também alcançando cidades vizinhas como Contagem, onde a Econ Participações S.A investe bilhões para erguer um complexo com escola, supermercado e hotel, além dos 2.000 apartamentos.
Porém, a crescente presença desses gigantes imobiliários não é isenta de tensões. "Os Outros" trouxe à tela brigas exacerbadas entre vizinhos, refletindo a realidade. O individualismo persiste mesmo em contextos coletivos, gerando conflitos que variam de barulhos incômodos a rixas prolongadas. A síndica de um condomínio em Nova Lima destaca a falta de senso de coletividade como um fator crucial para essas tensões.
Lidia Levy, coordenadora do curso de especialização em psicologia jurídica da PUC-Rio, ressalta que a escalada desses conflitos segue um panorama global, onde a empatia cede espaço à polarização. Contendas banais, como barulhos excessivos, podem evoluir para situações extremas, resultando em agressões físicas e processos judiciais.
Em Minas Gerais, dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp MG) revelam um cenário alarmante: entre 2021 e maio de 2023, foram registrados 665 casos de lesão corporal e 759 agressões entre vizinhos em condomínios. Esses números preocupantes evidenciam a necessidade de promover convivência harmoniosa.
Ao mesmo tempo em que oferecem segurança e lazer, os megacondomínios podem aprisionar a vida urbana. A arquiteta Jupira Mendonça critica a segregação promovida por essas estruturas, que limitam interações entre moradores e o entorno. Luiz Gazzi, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG, sugere que a coexistência entre espaços públicos e privados pode minimizar essa divisão.
Em um cenário em que condomínios gigantes surgem como ícones da construção civil, é essencial balancear o conforto com a vitalidade urbana e a coletividade. A tendência é inegável, mas é imperativo que a convivência pacífica não seja uma mera utopia nos horizontes verticais da arquitetura moderna.
Fonte: O Tempo - Gabriel Rodrigues, TV Globo.



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