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Nova norma exigirá chuveiros automáticos e exaustão em garagens de prédios com recarga para carros elétricos

Regras de segurança foram acordadas entre o Governo de São Paulo, Corpo de Bombeiros e fabricantes; norma busca reduzir riscos de incêndios causados por baterias de íon-lítio em condomínios.

Folha de São Paulo
Nova norma exigirá chuveiros automáticos e exaustão em garagens de prédios com recarga para carros elétricos Foto: Reprodução

Nova norma exigirá sistemas de combate a incêndio em garagens de prédios com recarga para veículos elétricos

Após mais de um ano de discussões, uma nova regulamentação está prestes a ser oficializada para disciplinar a instalação de carregadores de carros elétricos em garagens de condomínios residenciais e comerciais em São Paulo. A norma foi construída por meio de um consenso entre o Governo do Estado, o Corpo de Bombeiros e representantes da indústria automotiva e da construção civil, reunidos sob a articulação da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

O novo regramento exigirá, como medida obrigatória para edifícios novos, a instalação de chuveiros automáticos (sprinklers), sistemas de detecção de fumaça e exaustão de ar nas áreas de estacionamento onde houver pontos de recarga para veículos eletrificados. Para edificações existentes, será elaborado um conjunto de normas adaptáveis à infraestrutura de cada condomínio, levando em consideração as limitações técnicas e estruturais.

A proposta surge em resposta ao aumento da frota de veículos elétricos no país e aos riscos de incêndio associados às baterias de íon-lítio, cuja queima gera chamas de alta intensidade, libera gases tóxicos e demanda técnicas específicas de combate. Segundo o Corpo de Bombeiros, a falta de ventilação e a instalação inadequada dos equipamentos em garagens fechadas podem elevar significativamente o risco para moradores e visitantes.

A elaboração da norma foi impulsionada por simulações reais de incêndios realizadas em um laboratório montado na sede da Escola Superior do Corpo de Bombeiros, em Franco da Rocha (SP). No local, foram testadas situações com veículos e baterias em chamas, monitoradas por câmeras termográficas capazes de registrar temperaturas superiores a 550 °C, além de sensores de monóxido de carbono e fumaça.

O investimento para a criação do laboratório foi de aproximadamente R$ 500 mil, financiado pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas). As simulações buscavam entender o comportamento térmico das baterias e avaliar a eficiência dos sistemas de contenção propostos.

Ideias como baias isoladas por paredes corta-fogo e espaçamentos de cinco metros entre vagas foram descartadas após testes práticos e críticas do setor imobiliário. Segundo a ABVE, as medidas adotadas buscaram um equilíbrio entre segurança e viabilidade técnica, visando evitar soluções que inviabilizassem projetos arquitetônicos ou elevassem excessivamente os custos de incorporação.

A expectativa é que a publicação oficial da norma ocorra ainda em julho, com um evento que deve contar com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A medida poderá servir de modelo para outros estados, já que a Ligabom (Conselho Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil) estuda nacionalizar a regulamentação.

A nova regra representa um passo decisivo na busca por segurança, padronização técnica e sustentabilidade, à medida que o país avança na adoção de tecnologias limpas no setor automotivo. Ao mesmo tempo, impõe desafios aos síndicos, gestores condominiais e construtoras, que precisarão se adequar às exigências legais sem comprometer o conforto e a funcionalidade das edificações.




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