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Financiamento imobiliário com recursos da poupança recua 7% em fevereiro

Volume do SBPE soma R$ 11,8 bilhões no mês e reflete impacto de juros elevados e queda na captação

Folha de São Paulo
Financiamento imobiliário com recursos da poupança recua 7% em fevereiro Edifícios na avenida Rebouças em São Paulo.

O mercado imobiliário brasileiro iniciou 2026 sob pressão no segmento de crédito. O volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança registrou queda de 7% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2025, totalizando R$ 11,8 bilhões, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

No acumulado do primeiro bimestre, o recuo também é significativo. As operações via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 23,9 bilhões, uma retração de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Pressão da poupança e cenário econômico

O desempenho negativo está diretamente ligado à redução da captação líquida da poupança, que permaneceu no campo negativo em fevereiro, com saída de R$ 4,1 bilhões. Esse movimento, segundo a Abecip, já era esperado para o início do ano, período em que as famílias concentram maiores despesas.

Além disso, o cenário de juros elevados continua impactando o acesso ao crédito imobiliário, tornando os financiamentos mais caros e reduzindo a demanda por novos contratos.

Medidas para estimular o crédito

Diante desse contexto, o governo federal tem buscado alternativas para ampliar o acesso ao financiamento habitacional. Uma das medidas recentes foi a ampliação do limite de renda para participação no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

A mudança, aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, elevou o teto de renda familiar para até R$ 13 mil mensais, permitindo que uma parcela maior da classe média possa acessar condições facilitadas de financiamento.

Impactos no mercado imobiliário

A retração no crédito afeta diretamente o ritmo de vendas de imóveis, especialmente no segmento de médio e alto padrão, que depende mais fortemente dos recursos da poupança.

Para o setor condominial, o cenário pode influenciar o lançamento de novos empreendimentos, a ocupação de unidades e até o comportamento dos investidores, que tendem a adotar uma postura mais cautelosa.

Perspectivas para 2026

Apesar do recuo no início do ano, a expectativa do mercado é de que medidas de estímulo ao crédito e eventuais ajustes na política monetária possam contribuir para uma recuperação gradual ao longo de 2026.

Enquanto isso, o setor segue atento aos indicadores econômicos e às condições de financiamento, fatores decisivos para o desempenho do mercado imobiliário nos próximos meses.




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