Síndica do Edifício JK, obra icônica de Niemeyer em BH, deixa o cargo de forma definitiva após 40 anos
Após mais de quatro décadas no cargo e internação, síndica do Edifício JK deixa administração; moradores questionam horário e medidas da convocação
Síndica do JK se afasta e assembleia elegerá nova gestão com críticas à transparência
O tradicional Edifício JK — Conjunto Governador Kubitschek — localizado no bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, vive um momento de transição administrativa. A síndica moral do condomínio, Maria das Graças, que ocupou o cargo por mais de quatro décadas, teve de se afastar definitivamente de suas funções após internação hospitalar. Com isso, foi convocada uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 30 de setembro, com a finalidade principal de eleger nova administração e deliberar sobre outras pautas importantes.
Durante seu afastamento, a administração ficou sob supervisão do síndico em exercício, Manoel Gonçalves de Freitas. A convocação formal do pleito foi feita justamente para responder ao vazio de gestão e retomar deliberações urgentes.
Principais pontos da pauta
Entre os itens que serão votados na assembleia, destacam-se:
- Eleição da nova gestão condominial.
- Modernização de sistemas prediais e adequação ao Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
- Reforma da garagem e possível abertura para uso amplo ou terceirizado.
- Implantação de cadastro eletrônico de moradores e modernização do controle de visitantes.
- Ratificação de atos administrativos já praticados anteriormente, o que tem sido motivo de desconfiança para parte dos condôminos.
- Revisão de normas sobre circulação de animais em áreas comuns — autorizando circulação apenas com coleira e sem necessidade de carregar no colo.
Críticas e preocupações dos moradores
Apesar das boas intenções explícitas na convocação, vários moradores ouvidos pela reportagem manifestaram insatisfação com o horário escolhido — em dia útil pela manhã — que pode dificultar a participação e mobilização de condôminos.
Um dos condôminos ressaltou que não recebeu comunicação formal a tempo e soube da assembleia por redes sociais, o que reforça o questionamento sobre a transparência do processo eleitoral.
Outros denunciaram que a administração vigente adotou práticas autoritárias, com falta de prestação de contas, elevadores frequentemente fora de uso e ausência de aprovação do Corpo de Bombeiros, mesmo com o pedido de adequação ao AVCB incluído na pauta.
Há temor de que os atos praticados até agora sejam ratificados automaticamente sem debate efetivo, o que foi classificado por moradores como um “cavalo de Troia” para manter o status quo.
Aspectos jurídicos e de governança condominial
A escolha da assembleia para eleger novo síndico segue o rito previsto em convenção do condomínio. Conforme especialistas em direito condominial, as assembleias têm poder de deliberação sobre os rumos administrativos, inclusive ratificação de atos anteriores, desde que respeitado quórum e o direito dos condôminos à informação e participação.
No entanto, convocar uma reunião em horário e dia de trabalho pode ser questionado como prática que limita a participação democrática. A conformidade com prazos legais e comunicação clara são essenciais para evitar impugnações futuras.


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