São Paulo deve fechar 2025 com 708 novos condomínios e mantém alta expansão pelo 4º ano seguido
Projeção da plataforma Data Lello confirma avanço contínuo da verticalização na capital, impulsionado por compactos, Minha Casa Minha Vida e imóveis de alto padrão
Imagem ilustrativa A cidade de São Paulo deve encerrar 2025 com a implantação de 708 novos condomínios, segundo projeção divulgada pela plataforma Data Lello, que monitora o mercado de empreendimentos verticais na capital paulista. O número mantém a cidade acima da marca de 700 novos prédios ao ano pelo quarto ano consecutivo, confirmando o ritmo acelerado de verticalização no município.
De acordo com o levantamento, 268 novos condomínios foram entregues até junho de 2025 e outros 440 estão previstos até dezembro. A expansão representa a geração de aproximadamente 4,2 mil empregos diretos e um incremento mensal estimado em R$ 57 milhões em cotas condominiais.
Atualmente, a capital paulista concentra cerca de 32 mil empreendimentos, segundo o Mapa dos Condomínios da Data Lello, divulgado no primeiro trimestre deste ano. O estudo mostra ainda que o morador de São Paulo paga, em média, R$ 983 por mês em despesas condominiais, valor 18% maior do que em 2022, quando a média era de R$ 832.
Perfil dos novos empreendimentos
O levantamento mostra que o crescimento envolve diferentes faixas de renda:
- Compactos: 24,5%
- Minha Casa, Minha Vida: 21,04%
- Médio Baixo: 28,57%
- Médio: 6,80%
- Alto: 5,91%
- Luxo: 6,61%
- Superluxo: 6,58%
A Zona Leste deve concentrar o maior número de novos empreendimentos, com 29,1% das entregas previstas, seguida pela Zona Oeste (28,4%). A Zona Sul reúne 24,6%, enquanto a Zona Norte e o Centro respondem por 12,7% e 5,2%, respectivamente.
Para Angélica Arbex, diretora de marketing da Lello Condomínios e coordenadora do estudo, os números demonstram um movimento que vai além da demanda habitacional:
“Por exemplo, encontrar a vocação de espaços com fachadas ativas, entender a nova paisagem urbana de bairros com verticalização acelerada e promover a conexão entre os condomínios, a rua e a cidade, criando espaços mais amigáveis e seguros para morar.”
Ela reforça que o desafio atual é integrar os novos prédios à dinâmica urbana:
“Entender que os empreendimentos imobiliários moldam a cidade, mas também são moldados por ela é parte fundamental do pensamento de quem atua à frente da gestão.”
Evolução dos lançamentos
2019 – 472
2020 – 589
2021 – 640
2022 – 766
2023 – 751
2024 – 741
2025 (projeção) – 708
O que explica o crescimento
Segundo Fabiano de Marco, cofundador da Idealiza Cidades, o movimento atual é resultado de decisões tomadas durante o período da pandemia, quando a taxa básica de juros atingiu 2% ao ano, o menor patamar da história.
“O tempo de entrega de um condomínio pensado no ‘boom’ da pandemia, baixas taxas de juros e alterações no Plano Diretor se refletem com entregas 4 ou 5 anos depois. Isso explica esses números, frutos de decisões tomadas não tão recentemente.”
O setor também foi impulsionado pela revisão do Plano Diretor de São Paulo, sancionada em 2023, que manteve incentivos à verticalização em áreas próximas ao transporte público.
Críticas ao modelo
Para o urbanista Valter Caldana, professor da Universidade Mackenzie, a alta concentração de novos edifícios pode gerar impactos negativos no longo prazo:
“Os efeitos da pandemia represaram projetos pessoais e familiares. Temos um déficit habitacional muito grande, mas há outro fator importante: a velocidade e a voracidade do modelo. A cidade pode sentir efeitos estruturais desta expansão.”


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