Setores intensivos em mão de obra, como a construção civil, podem ser os mais afetados com fim da escala 6x1
Especialistas da indústria alertam que proposta de eliminar escala 6x1 e redução da jornada vai impactar produtividade, custos operacionais e emprego
Foto: Reprodução A possível extinção da escala de trabalho conhecida como 6x1 — em que o trabalhador labora seis dias consecutivos e folga no sétimo — acendeu alertas entre especialistas e lideranças da indústria sobre os impactos no setor produtivo, sobretudo em segmentos intensivos em mão de obra, como a construção civil.
A análise da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) destaca que a Proposta de Lei nº 67/2025, que prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1, não produzirá efeitos homogêneos em toda a economia. Setores e regiões serão atingidos de forma distinta, em função de variáveis como estrutura produtiva, intensidade de mão de obra e oferta local de trabalhadores.
Segundo a entidade, segmentos industriais que demandam maior participação de trabalho humano tendem a enfrentar desafios mais severos. Entre eles, a construção civil, em que a redução imediata da jornada pode elevar o custo da hora trabalhada e dificultar a recomposição das horas produtivas, com impactos diretos na produtividade e na capacidade operacional das empresas.
O risco se agrava em um cenário já caracterizado pela escassez de mão de obra qualificada em setores como a construção civil, onde a formação de equipes e a manutenção de turnos são obstáculos concretos. Com menos horas disponíveis por trabalhador, cresce a necessidade de contratação adicional, algo muitas vezes inviável na prática, comprometendo prazos e rotinas produtivas.
Para micro e pequenas empresas, as dificuldades podem ser ainda maiores. A necessidade de recompor produção com menos horas disponíveis pode significar aumento de custos em um ambiente de capacidade financeira limitada para absorver essas despesas, além de tornar a reposição de mão de obra mais onerosa e complexa, resultando até na retração de atividades e empregos formais.
Especialistas de outros setores também indicam que o fim da escala 6x1 pode elevar custos operacionais de empresas em segmentos como comércio e serviços, com projeções de forte impacto na folha salarial e possível repasse desse custo ao consumidor.
Além disso, estudos apontam que se implementada sem contrapartidas, a redução da jornada de trabalho pode pressionar preços e influenciar variáveis macroeconômicas, exigindo um debate mais amplo entre empregadores, trabalhadores e legisladores.
O debate sobre a tramitação da proposta no Congresso segue em curso, com especialistas defendendo que eventuais ajustes de jornada sejam discutidos preferencialmente por meio de negociações coletivas e com transição responsável, avaliando cuidadosamente os impactos sobre competitividade, custos e emprego antes de qualquer alteração definitiva.
A proposta, que ainda tem etapas legislativas a cumprir, reacende um amplo debate sobre direitos trabalhistas, competitividade industrial e o equilíbrio entre proteção ao trabalhador e sustentabilidade econômica.


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