Polícia Civil do ES desarticula esquema milionário de fraude no condomínio Boulevard Lagoa, na Serra
Operação “Onerado” da PC-ES prende casal e apreende quase 2 mil cartões em investigação de fraude financeira que movimentava até R$ 1 milhão por mês
Foto: Reprodução Polícia Civil do Espírito Santo desarticula esquema milionário de fraude em condomínio de luxo na Serra (ES)
A Polícia Civil do Espírito Santo (PC-ES) deflagrou nesta terça-feira a operação “Onerado”, desarticulando um esquema sofisticado de fraude financeira que operava inclusive no Boulevard Lagoa, um dos condomínios de alto padrão na região da Serra.
A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), resultou na prisão em flagrante de um casal apontado como o núcleo operacional do grupo criminoso. Além disso, policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão: dois na Serra (nos bairros Feu Rosa e Carapebus) e um no bairro de Goiabeiras, em Vitória.
As apurações apontam que o grupo atuava com cartões de benefícios, como cartões de alimentação, fazendo simulações de compras em empresas registradas em nome de terceiros — os chamados “laranjas” — inclusive fora do Estado. Após a simulação, os investigados retinham entre 30% e 40% do valor e devolviam o restante aos beneficiários por Pix ou dinheiro em espécie.
A investigação começou depois que uma empresa identificou um desfalque de cerca de R$ 200 mil, provocado por uma funcionária do setor financeiro que inseria valores indevidos em cartões sob seu controle e buscava antecipar o saldo junto ao grupo criminoso. Esse esquema funcionou por cerca de 16 meses até ser descoberto.
Segundo a Polícia Civil, o grupo chegou a movimentar cerca de R$ 1 milhão em apenas um mês apenas com as simulações realizadas, o que evidencia a grande dimensão do golpe. No dia da operação, foram apreendidos 1.892 cartões de benefícios, quatro máquinas de cartão suspeitas, veículos de luxo, cheques, notas promissórias, cadernos de contabilidade e diversos aparelhos celulares.
Os delegados também identificaram indícios de participação de empresas de fora do Espírito Santo no esquema. A investigação segue em andamento para identificar todos os envolvidos e calcular o valor total movimentado pelo grupo, que poderá responder por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A PC-ES alertou que beneficiários que conscientemente participaram da fraude podem igualmente responder criminalmente. A análise de cadernos contábeis, registros financeiros e vínculos empresariais continua para aprofundar as investigações.


COMENTÁRIOS