Inadimplência em condomínios se aproxima de 10% em Minas Gerais
Levantamento aponta aumento expressivo no atraso das taxas condominiais no estado, impulsionado pelo endividamento das famílias e desafios na gestão financeira dos condomínios
Foto: Reprodução A inadimplência nas taxas de condomínio em Minas Gerais apresentou crescimento significativo no último ano e já se aproxima da marca de 10%. O aumento do atraso nos pagamentos preocupa gestores e administradoras, já que a arrecadação mensal é essencial para manter os serviços e a estrutura dos empreendimentos residenciais.
Dados do Censo Condominial 2025/2026, elaborado com base em informações da plataforma de gestão condominial uCondo, apontam que o índice de inadimplência no estado saltou de 6,94% em 2024 para 9,16% em 2025. O percentual considera unidades com atraso superior a 30 dias no pagamento da taxa condominial.
Apesar da alta, o índice mineiro ainda permanece abaixo da média nacional, que avançou de 9,90% para 11,80% no mesmo período. No primeiro semestre de 2025, inclusive, o Brasil registrou 11,95% de inadimplência, o maior patamar desde o início da série histórica do levantamento, iniciado em 2022.
Endividamento das famílias pressiona pagamento das taxas
Especialistas apontam que o principal fator por trás do aumento da inadimplência está no cenário de endividamento das famílias. Quando o orçamento doméstico fica apertado, muitos moradores acabam priorizando outras despesas consideradas mais urgentes, deixando a taxa de condomínio em segundo plano.
Outro ponto que contribui para o crescimento do problema é a própria elevação dos custos nos condomínios. Despesas com manutenção, serviços, segurança e encargos trabalhistas pressionam o valor das taxas condominiais e dificultam ainda mais o pagamento por parte dos moradores.
Gestão financeira também influencia
Além da situação econômica, especialistas alertam que falhas na gestão financeira dos condomínios também podem ampliar o risco de inadimplência.
Entre os principais problemas estão a falta de planejamento orçamentário, ausência de reservas financeiras e atrasos na realização de manutenções preventivas. Quando despesas inesperadas surgem, muitas vezes a única saída é aumentar a taxa condominial ou recorrer a empréstimos, o que pode pressionar ainda mais o orçamento dos moradores.
Segundo especialistas do setor, é praticamente inevitável que algum nível de inadimplência exista em qualquer condomínio. No entanto, uma gestão profissional e organizada pode reduzir os impactos no fluxo de caixa e evitar que o problema comprometa o funcionamento do empreendimento.
Novas exigências podem trazer custos adicionais
Outro fator que pode influenciar as despesas condominiais nos próximos anos é a atualização das normas de gestão de riscos no ambiente de trabalho.
A partir de maio, condomínios que possuem funcionários próprios deverão adotar medidas para identificar e gerenciar riscos psicossociais, como assédio moral, violência verbal e conflitos no ambiente de trabalho. A exigência faz parte das atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Embora as medidas busquem proteger a saúde mental dos trabalhadores, especialistas alertam que a adequação às novas regras pode gerar custos adicionais para os condomínios.
Desafio crescente para síndicos e administradoras
O avanço da inadimplência reforça um dos principais desafios da gestão condominial: manter o equilíbrio financeiro mesmo diante de atrasos no pagamento das taxas.
Sem uma arrecadação regular, condomínios podem enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, funcionários e serviços essenciais, além de precisar adiar obras e manutenções importantes.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que síndicos adotem práticas mais profissionais de gestão financeira, reforcem o planejamento orçamentário e busquem estratégias para reduzir os impactos da inadimplência no dia a dia dos condomínios.


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