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Alto custo das obras coloca mais de 125 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida em risco

Estudo aponta defasagem entre os repasses do programa habitacional e o aumento dos custos da construção civil nas regiões Norte e Nordeste

SBT
Alto custo das obras coloca mais de 125 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida em risco Foto: Reprodução

Alto custo das obras coloca mais de 125 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida em risco

O aumento dos custos da construção civil acendeu um alerta para o futuro de milhares de empreendimentos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Um estudo elaborado pelo Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção (FNNIC), em parceria com a consultoria BCB Inteligência, aponta que mais de 125 mil moradias em execução nas regiões Norte e Nordeste podem sofrer atrasos ou até mesmo paralisações caso não haja uma atualização dos valores pagos pelo programa.

Segundo o levantamento, encaminhado ao Ministério das Cidades, atualmente 125.763 unidades habitacionais estão em construção nessas duas regiões. Juntas, as obras representam cerca de R$ 14,53 bilhões em investimentos já contratados. O principal problema identificado é a crescente diferença entre os valores repassados pelo governo federal e o custo real para execução dos empreendimentos.

De acordo com o estudo, os contratos foram firmados em um cenário econômico diferente do atual. Desde então, diversos materiais utilizados na construção de moradias populares registraram aumentos expressivos de preço. Entre os principais reajustes identificados estão o cabo de cobre, com alta de 64%, a tela soldada, com aumento de 54,1%, os tubos e conexões de PVC para esgoto, que subiram 33,2%, além de tijolos cerâmicos, aço e cimento, que também acumularam elevações significativas.

A situação se agravou entre março e abril de 2026, quando fabricantes anunciaram novos reajustes em produtos como cimento, concreto, argamassas e materiais de PVC. O estudo classifica esse movimento como um verdadeiro "choque sistêmico e estrutural" para os custos da construção civil.

Os estados mais impactados pela situação são Pará, Maranhão e Bahia, que concentram grande parte das unidades habitacionais em andamento. Dados da Caixa Econômica Federal mostram que o Pará possui aproximadamente 27,3 mil moradias em execução, o Maranhão cerca de 21,3 mil e a Bahia mais de 18,2 mil unidades.

Enquanto os custos das obras avançaram rapidamente, os reajustes promovidos pelo governo para atualização dos valores máximos do programa foram considerados insuficientes pelo setor. O estudo aponta que os tetos do Minha Casa, Minha Vida para grandes municípios do Nordeste foram corrigidos em 3,53%, enquanto o Custo Unitário Básico (CUB), indicador que mede o custo real das construções, acumulou alta de 14,28% no Nordeste e de 35,95% na região Norte.

Na Amazônia Legal, o cenário é ainda mais desafiador. Questões logísticas, grandes distâncias, dependência de transporte hidroviário, fretes elevados e longos períodos de chuva contribuem para elevar significativamente os custos das obras. Em alguns estados amazônicos, apenas o transporte dos materiais pode representar entre 15% e 25% do valor total dos insumos adquiridos.

O levantamento também mostra que as margens financeiras das construtoras vêm diminuindo rapidamente. No Nordeste, a margem residual para cobrir despesas caiu mais de 30% desde 2023. Já na região Norte, a situação é considerada crítica, chegando a registrar margens negativas em determinados períodos. Segundo a projeção do estudo, sem novos ajustes nos contratos, a rentabilidade das obras poderá ser completamente esgotada, tornando inviável a continuidade de diversos empreendimentos.

Entre os riscos apontados estão a paralisação de aproximadamente 125 mil moradias, atrasos na entrega das unidades para milhares de famílias, perda de empregos diretos e indiretos, judicialização dos contratos e redução da participação das construtoras em novos projetos habitacionais.

Como alternativa, o FNNIC propõe a criação de um novo mecanismo de atualização dos contratos, denominado Índice de Reajuste MCMV FAR (IR-FAR), que combinaria indicadores da inflação da construção civil e da economia. A entidade estima que seriam necessários cerca de R$ 2,57 bilhões para recompor os contratos atualmente em execução.

Segundo os responsáveis pelo estudo, esse aporte permitiria preservar mais de R$ 14 bilhões já investidos nas obras e garantir a conclusão das mais de 125 mil moradias em andamento. O setor defende que a medida seria fundamental para evitar prejuízos econômicos, proteger empregos e assegurar a continuidade de um dos principais programas habitacionais do país.

Até o momento, o Ministério das Cidades não informou se adotará medidas para enfrentar o cenário apontado pelo levantamento.




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