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Justiça derruba decreto que flexibilizava limites de ruído em obras na cidade de São Paulo

Decisão atende ação do Ministério Público e restabelece regras mais rígidas para controle do barulho gerado pela construção civil

CNN Brasil
Justiça derruba decreto que flexibilizava limites de ruído em obras na cidade de São Paulo Imagem ilustrativa

Justiça derruba decreto que flexibilizava limites de ruído em obras na cidade de São Paulo

Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) pode gerar reflexos importantes para moradores de condomínios e empreendimentos localizados próximos a obras de construção civil na capital paulista. O Órgão Especial da corte declarou inconstitucional o decreto municipal que flexibilizava os limites de ruído permitidos em canteiros de obras, atendendo a uma ação proposta pelo Ministério Público de São Paulo.

A norma, editada em 2021 pela gestão do prefeito Ricardo Nunes, permitia a emissão de ruídos de até 85 decibéis durante o dia e 59 decibéis no período noturno. Além disso, determinadas fases da construção, como terraplanagem, fundações e demolições, estavam dispensadas de respeitar esses limites em situações específicas.

Ao analisar o caso, os desembargadores entenderam que o município não poderia estabelecer padrões de proteção ambiental menos rigorosos do que aqueles previstos em normas federais e estaduais. Segundo o relator do processo, a administração municipal extrapolou sua competência ao criar regras consideradas mais permissivas para o controle da poluição sonora.

A decisão foi unânime e acolheu o entendimento do Ministério Público de que o decreto contrariava princípios de proteção ambiental e de qualidade de vida da população. Com isso, as regras flexibilizadas deixam de produzir efeitos, restabelecendo a aplicação dos parâmetros já previstos na legislação superior.

O tema possui relevância especial para condomínios residenciais, onde o excesso de ruído proveniente de obras costuma gerar conflitos entre moradores, construtoras e administradores. Em regiões com forte expansão imobiliária, reclamações relacionadas ao barulho estão entre as principais demandas encaminhadas aos órgãos de fiscalização urbana.

A discussão também ocorre em um momento de aumento das queixas sobre poluição sonora na capital paulista. Dados citados no debate judicial apontam que milhares de reclamações relacionadas a ruídos vêm sendo registradas anualmente junto aos órgãos municipais responsáveis pela fiscalização.

Especialistas destacam que o controle do ruído em obras é uma questão que envolve não apenas conforto, mas também saúde e bem-estar dos moradores. A exposição contínua a sons excessivos pode provocar estresse, dificuldades de concentração, distúrbios do sono e impactos na qualidade de vida, especialmente em condomínios residenciais localizados ao lado de grandes empreendimentos.

A decisão do TJ-SP reforça a importância do equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e o respeito aos direitos da vizinhança, tema que permanece no centro dos debates envolvendo construção civil, gestão condominial e qualidade de vida nas grandes cidades.




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