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Cartórios registram salto de 569% nas cobranças de condomínio em 2025

Número de dívidas condominiais encaminhadas para protesto cresce de forma expressiva e revela avanço na busca por recuperação de créditos pelos condomínios

Folha de São Paulo
Cartórios registram salto de 569% nas cobranças de condomínio em 2025 Imagem ilustrativa

Cartórios registram salto de 569% em cobranças de condomínio em 2025

O número de dívidas de condomínio encaminhadas para protesto em cartórios registrou um crescimento expressivo em 2025. Levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo aponta que foram registrados 100.815 documentos de cobrança ao longo do ano, contra 15.071 no período anterior, representando um aumento de 569%.

Os dados revelam uma mudança significativa na estratégia adotada por condomínios para combater a inadimplência e recuperar receitas essenciais para a manutenção das atividades, prestação de serviços e realização de investimentos necessários nas áreas comuns.

Segundo o levantamento, 35,7% das dívidas apresentadas tiveram algum tipo de solução em 2025, seja por meio de pagamento integral, acordo entre as partes ou cancelamento da cobrança. Ao todo, 34.528 débitos foram resolvidos, possibilitando a recuperação de aproximadamente R$ 70 milhões.

Outro dado que chama atenção é a rapidez com que parte dos devedores regulariza a situação após receber a notificação. Cerca de 15% das dívidas solucionadas foram quitadas nos três primeiros dias após a comunicação ao inadimplente. Outros 16% dos pagamentos ocorreram após a efetivação do protesto em cartório.

Para André Gomes Netto, presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil (IEPTB), os números demonstram uma mudança no comportamento da gestão financeira dos condomínios. Segundo ele, a cobrança vem sendo realizada de forma mais rápida, o que contribui para acelerar a recuperação dos valores em aberto.

A utilização dos cartórios tem sido vista por muitas administrações condominiais como uma alternativa para reduzir a dependência de ações judiciais, que costumam demandar anos até uma decisão definitiva e o efetivo recebimento dos valores devidos.

Apesar do avanço na recuperação de créditos, a pesquisa mostra que a inadimplência ainda representa um desafio relevante para os condomínios brasileiros. Aproximadamente 61% das dívidas levadas a protesto em 2025 permaneceram sem pagamento até o encerramento do período analisado. Nesses casos, os devedores podem enfrentar restrições para obtenção de financiamentos, empréstimos e outras operações de crédito.

A tendência de crescimento também se mantém em 2026. Apenas no primeiro trimestre do ano, 26.866 dívidas condominiais foram encaminhadas para protesto, somando R$ 42,8 milhões em cobranças. No mesmo período, 7.112 títulos tiveram algum tipo de resolução.


Especialistas do setor destacam que a saúde financeira dos condomínios depende diretamente da arrecadação das taxas condominiais. Quando há aumento da inadimplência, toda a coletividade pode ser impactada, comprometendo serviços essenciais, contratos de manutenção, segurança, limpeza e investimentos necessários para a conservação do patrimônio.


O crescimento expressivo das cobranças em cartório reforça um movimento cada vez mais presente na gestão condominial: a busca por mecanismos mais rápidos e eficientes para reduzir a inadimplência e preservar o equilíbrio financeiro dos condomínios brasileiros.




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