Publicidade

Airbnb chama decisão do STJ de inconstitucional e amplia debate sobre aluguel por temporada

Plataforma contesta entendimento que exige aprovação de dois terços dos condôminos para hospedagens de curta duração em condomínios residenciais

Estadão
Airbnb chama decisão do STJ de inconstitucional e amplia debate sobre aluguel por temporada Imagem ilustrativa

Airbnb chama decisão do STJ de inconstitucional e amplia debate sobre aluguel por temporada

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que condiciona a locação de imóveis por curta temporada em condomínios residenciais à aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos continua gerando repercussão no mercado imobiliário. Desta vez, a diretora-geral do Airbnb para a América Latina afirmou que o entendimento da Corte pode afrontar princípios constitucionais ligados ao direito de propriedade.

A controvérsia surgiu após a Segunda Seção do STJ decidir que a exploração frequente e econômica de imóveis por meio de plataformas digitais de hospedagem altera a destinação residencial dos condomínios. Por esse motivo, a atividade passaria a depender de autorização formal dos moradores reunidos em assembleia, com aprovação mínima de dois terços dos condôminos.

Segundo representantes do Airbnb, a plataforma entende que a locação por temporada é uma atividade legal e que impedir ou restringir esse tipo de utilização pode representar uma limitação indevida ao exercício do direito de propriedade. A empresa sustenta que proprietários devem ter liberdade para decidir como utilizar seus imóveis dentro dos limites previstos em lei.

Por outro lado, o STJ considerou que a alta rotatividade de hóspedes e a utilização profissional das unidades residenciais podem gerar impactos diretos na rotina dos condomínios. Entre os pontos destacados pelos ministros estão questões relacionadas à segurança, ao controle de acesso, ao sossego e à convivência entre moradores e visitantes temporários.

A decisão também reforçou que a exploração econômica contínua das unidades não se enquadra perfeitamente nos conceitos tradicionais de locação residencial nem de hospedagem hoteleira, sendo considerada uma modalidade contratual atípica que exige análise específica dentro da realidade condominial.

O tema possui grande relevância para o setor imobiliário, especialmente em cidades turísticas e regiões com forte presença de imóveis destinados a locações de curta duração. Proprietários, investidores e administradoras acompanham com atenção os desdobramentos do caso, que pode influenciar diretamente a rentabilidade de milhares de imóveis em todo o país.

Além disso, o próprio STJ decidiu recentemente suspender processos semelhantes em tramitação no Brasil para analisar o tema sob o rito dos recursos repetitivos. A medida permitirá a definição de uma tese que servirá de referência para julgamentos futuros, ampliando a segurança jurídica sobre a matéria.

Para especialistas em direito condominial, a discussão envolve um delicado equilíbrio entre direitos individuais dos proprietários e interesses coletivos dos moradores. Enquanto alguns defendem maior autonomia dos condomínios para regulamentar a atividade, outros argumentam que restrições excessivas podem afetar a livre utilização dos imóveis e o próprio mercado de locação por temporada.










Com a reação do Airbnb e a continuidade dos debates no Judiciário, o tema promete permanecer no centro das discussões envolvendo condomínios, locações de curta duração e direito de propriedade nos próximos meses.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login