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Construção civil prevê expansão em 2026, mas setor enfrenta forte escassez de mão de obra qualificada

Setor projeta crescimento de cerca de 2% em 2026, mas a falta de profissionais especializados pressiona prazos, custos e qualidade das obras

O Dia
Construção civil prevê expansão em 2026, mas setor enfrenta forte escassez de mão de obra qualificada Imagem ilustrativa

O setor de construção civil brasileiro inicia 2026 com perspectiva de crescimento, mas também com desafios significativos relacionados à força de trabalho. Segundo análise da O Dia, a expectativa de expansão do segmento está em torno de 2%, estimulada por fatores como o início do ciclo de redução da taxa de juros, orçamento recorde para financiamento habitacional com recursos do FGTS, novos modelos de crédito imobiliário, investimentos em infraestrutura e programas sociais voltados à moradia.

Apesar do ambiente positivo para 2026, a escassez de mão de obra qualificada segue como um dos principais entraves do setor, com reflexos diretos no ritmo de execução das obras, nos prazos de entrega e nos custos finais dos empreendimentos. Profissionais especializados — como pedreiros experientes, eletricistas, encanadores, armadores e carpinteiros — estão entre os mais demandados e mais difíceis de serem encontrados no mercado atual.

Engenheiros civis têm relatado que não faltam trabalhadores dispostos a atuar, mas sim profissionais com formação técnica e experiência adequadas à complexidade das atividades. De acordo com um dos entrevistados, a dificuldade não é apenas numérica, mas relacionada à baixa qualificação, o que impacta diretamente a produtividade, qualidade e produtividade das obras.

Especialistas em recursos humanos apontam que as condições de trabalho, a remuneração limitada e a percepção de poucas oportunidades de crescimento profissional tornam o setor menos atrativo, especialmente para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho. Outras atividades concorrentes, como serviços de aplicativo ou setores com jornadas mais flexíveis, também disputam a atenção de potenciais trabalhadores.

Essa realidade tem levado empresas e profissionais de engenharia a adotarem estratégias alternativas, como identificar auxiliares com maior aptidão e investir em capacitação interna para suprir a falta de especialistas no canteiro de obras. No entanto, esses esforços tendem a gerar retrabalho, aumento de custos e atrasos nos cronogramas planejados.

A falta de funções tradicionais, como a de mestre de obras — profissional que historicamente exercia papel fundamental na coordenação entre o planejamento técnico e a execução no canteiro — também tem sido destacada como uma lacuna que pressiona ainda mais a gestão das obras.

Para enfrentar esse cenário, soluções como programas de formação técnica, trilhas de desenvolvimento profissional, valorização salarial e melhoria das condições de trabalho são apontadas como essenciais para atrair e reter talentos. Entidades como o SENAI oferecem cursos de qualificação com foco no setor, embora a demanda por capacitação ainda supere a oferta disponível.

Em meio à expectativa de crescimento econômico, a construção civil precisa equilibrar sua expansão com estratégias que enfrentem a escassez de mão de obra qualificada — fator que pode definir a sustentabilidade do setor a longo prazo, a eficiência na entrega de obras e a qualidade dos projetos de engenharia em todo o país. 




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