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Resgate de cachorro em condomínio gera impasse entre protetores e polícia em Ribeirão Preto

Caso envolvendo suspeita de maus-tratos mobilizou ativistas, moradores e forças de segurança no interior de São Paulo

G1
Resgate de cachorro em condomínio gera impasse entre protetores e polícia em Ribeirão Preto Foto: Reprodução

Resgate de cachorro em condomínio gera impasse entre protetores e polícia em Ribeirão Preto


Um caso de suspeita de maus-tratos a um cachorro de 14 anos mobilizou moradores, protetores de animais, advogados e forças de segurança em Ribeirão Preto (SP). O resgate do animal, realizado na tarde da última segunda-feira (1º), acabou gerando um impasse após o delegado responsável pelo caso considerar a possibilidade de devolver o cão aos tutores enquanto novas análises são realizadas.

A ocorrência foi registrada em um condomínio localizado no bairro Nova Aliança, na Zona Sul da cidade. Segundo relatos de moradores, o animal estaria sofrendo maus-tratos há pelo menos um mês e meio. Vizinhos afirmam que diversas denúncias já haviam sido feitas anteriormente às autoridades.

Animal foi encontrado com feridas e preso na varanda

A ação contou com a participação da Polícia Militar, de uma médica veterinária, de protetores de animais e da presidente da Comissão de Direito dos Animais da OAB de Ribeirão Preto, Fabiola Coelho.

Segundo Fabiola, ao chegarem ao apartamento, os envolvidos encontraram o cachorro na sacada do imóvel.



"Nós fomos junto com o apoio da Polícia Militar, uma veterinária e uma protetora. Chegando lá, os donos do imóvel abriram a porta e foi verificado que o animal estava na sacada. Parece que ele estava acorrentado, inclusive", relatou.



De acordo com os participantes da operação, o cão apresentava diversas feridas pelo corpo e aparentava necessitar de atendimento veterinário imediato.

Tutores negam maus-tratos

Após a abordagem, os tutores foram encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) para prestar esclarecimentos. Eles foram ouvidos pelas autoridades e posteriormente liberados.

Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, os responsáveis negaram que o cachorro estivesse sofrendo maus-tratos.

A Secretaria de Segurança Pública informou que, durante a ação, foi constatado que o animal era mantido em condições consideradas inadequadas.

Em nota, a pasta informou:



"O animal foi encaminhado à Comissão dos Direitos dos Animais da OAB para realização de exames veterinários. Os responsáveis foram conduzidos à Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto, onde foram adotadas as medidas cabíveis."



Delegado avalia devolução do animal

Após o resgate, o cachorro foi encaminhado para uma clínica veterinária, onde passou por exames e iniciou tratamento médico.

Segundo Fabiola Coelho, o delegado plantonista entendeu que ainda seriam necessárias novas avaliações técnicas para a conclusão do caso e determinou que o animal poderia ser devolvido aos tutores.

A advogada informou que pretende solicitar um prazo maior para manter o cachorro sob acompanhamento veterinário devido ao estado de saúde em que ele foi encontrado.

Atualmente, Fabiola permanece como depositária fiel do animal.

Tratamento deve durar pelo menos 30 dias

A médica veterinária responsável pelo atendimento informou que o cachorro iniciou tratamento com antibióticos e deverá permanecer em acompanhamento por pelo menos 30 dias.

O objetivo é tratar as feridas identificadas durante os exames e avaliar de forma mais aprofundada suas condições de saúde.

Moradores denunciam situação desde abril

De acordo com Fabiola Coelho, moradores do condomínio vinham denunciando a situação desde abril deste ano.

No último domingo (31), vizinhos voltaram a procurar ajuda após observarem o animal preso em um espaço reduzido na varanda do apartamento.

Segundo ela, o caso evidencia uma situação frequentemente mal compreendida pela população.



"As pessoas sempre pensam que crime de maus-tratos é você bater, você xingar, machucar. Não é só isso. É tudo aquilo que traz sofrimento ao animal. Então, a privação de espaço, privação de alimentação, todo tipo de privação traz sofrimento."



Caso reacende debate sobre maus-tratos em condomínios

O episódio reacendeu discussões sobre a responsabilidade dos tutores e a importância das denúncias em casos de suspeita de maus-tratos dentro de condomínios residenciais.

Especialistas em proteção animal destacam que situações de negligência, confinamento inadequado, falta de alimentação, ausência de cuidados veterinários e condições que provoquem sofrimento também podem caracterizar maus-tratos, dependendo da avaliação técnica e das circunstâncias verificadas pelas autoridades.

O caso segue sob análise das autoridades competentes, que aguardam os resultados dos exames e demais elementos técnicos para definir os próximos desdobramentos da investigação.




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