Moradores questionam obra de academia de R$ 3,6 milhões em condomínio do DF
Projeto de instalação de academia de alto custo divide moradores do Condomínio Ouro Vermelho II no Jardim Botânico e levanta debates sobre prioridades e taxas
Imagem ilustrativa Moradores do Condomínio Ouro Vermelho II, localizado no Jardim Botânico, no Distrito Federal, entraram em debate acalorado após a proposta de construção de uma academia avaliada em R$ 3,6 milhões, projeto que vem dividindo opiniões e gerando questionamentos sobre prioridades de investimentos dentro do empreendimento.
O projeto prevê uma estrutura ampla, com dois pavimentos, elevador panorâmico e salas dedicadas a modalidades como pilates, aeróbico e artes marciais, além da aquisição de equipamentos modernos. Parte da comunidade condominial manifestou preocupação com o custo total da obra, que inclui tanto a construção quanto a compra dos aparelhos.
Alguns moradores sustentam que a discussão sobre a academia foi levada à assembleia sem ampla discussão prévia entre os residentes, e apontam outras necessidades que consideram mais urgentes no condomínio. Entre as críticas está a obra de escoamento de águas pluviais iniciada em 2014, ainda inconclusa, que tem causado danos ao asfalto e prejuízos financeiros e emocionais aos condôminos diante da falta de solução.
Para a diretora financeira da associação de moradores e proprietários, Eliane Morais, a escolha de priorizar um projeto de alto custo reflete “total descaso pelo sofrimento dos condôminos” e um descompasso entre as expectativas da comunidade e as decisões administrativas.
Além do impacto financeiro do investimento, os moradores expressaram apreensão quanto às taxas extras que seriam cobradas para viabilizar a obra. O plano prevê uma taxa adicional de R$ 295 por residência por 15 meses, além de um reajuste no valor da taxa condominial mensal de R$ 528 para R$ 670, o que elevaria o gasto mensal de cada família para cerca de R$ 965 caso aprovada a proposta.
Enquanto parte dos moradores se posiciona contrária ao investimento, outros defendem a instalação da academia, argumentando que poderia trazer benefícios à saúde, conveniência e valorização dos imóveis. Esse cenário de opiniões divergentes motivou a convocação de uma assembleia geral no fim de fevereiro para que a comunidade decida pela continuidade ou interrupção do projeto.
A síndica do condomínio, Liria Lis, afirmou que toda a tramitação do projeto segue a convenção do residencial, e que reuniões foram promovidas com mais de 100 moradores antes da convocação oficial da assembleia. Já a advogada responsável pelos assuntos jurídicos, Cristiane Queiroz, considerou a controvérsia “irrelevante e política”, associando as queixas a um grupo minoritário de condôminos insatisfeitos com a gestão atual.
O episódio expõe desafios típicos em administrações condominiais de grande porte, especialmente quanto à transparência, prioridades de investimento e comunicação entre a gestão e os moradores. A decisão que será tomada em assembleia tende a influenciar a convivência interna e as finanças coletivas nos próximos meses.


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