Ministério Público recomenda barrar condomínio que prevê corte de quase 900 árvores na Barra da Tijuca

Órgão aponta riscos ambientais e pede que prefeitura do Rio não autorize licenças para empreendimento previsto em área próxima à Lagoa de Jacarepaguá

G1
Ministério Público recomenda barrar condomínio que prevê corte de quase 900 árvores na Barra da Tijuca Foto: Reprodução

Ministério público recomenda barrar condomínio que prevê corte de quase 900 árvores na barra da tijuca


Um projeto imobiliário para construção de um condomínio residencial na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, passou a ser alvo de atenção do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O órgão recomendou que a prefeitura não conceda autorizações ambientais para o empreendimento enquanto não forem esclarecidos possíveis impactos ambientais relacionados à obra.


A principal preocupação está ligada à previsão de supressão de quase 900 árvores existentes no terreno destinado ao condomínio. O projeto prevê a construção de oito blocos residenciais, além de edificações anexas e áreas comuns de lazer.


Área possui relevância ambiental


De acordo com o Ministério Público, o terreno está localizado em uma Área de Relevante Interesse Ambiental (ARIA), próxima à Lagoa de Jacarepaguá, região considerada estratégica para a preservação do equilíbrio ecológico do bioma Mata Atlântica.


Estudos apresentados pela empresa responsável pelo empreendimento identificaram mais de mil árvores distribuídas em 26 espécies, sendo que parte delas está em estágio médio de regeneração.


Além disso, levantamento preliminar apontou a presença de 12 espécies de fauna silvestre na região durante amostragem realizada no local.


Segundo o MP, essas informações indicam que o terreno possui biodiversidade relevante e, por isso, exigiria avaliações ambientais mais aprofundadas antes da concessão de qualquer autorização para obras.


Questionamentos sobre estudos ambientais


O Ministério Público também questiona a qualidade dos estudos apresentados no processo de licenciamento. Técnicos teriam indicado a necessidade de um relatório ambiental mais detalhado sobre a fauna silvestre existente na área.


Para o órgão, o material entregue até agora seria insuficiente para embasar a liberação das licenças ambientais necessárias para a obra.


Outro ponto levantado é que o conselho do Parque Natural Municipal Bosque da Barra, localizado na mesma região, ainda não se manifestou oficialmente no processo, apesar da proximidade do empreendimento com a área de proteção ambiental.


Prazo para esclarecimentos


Na recomendação enviada à prefeitura do Rio de Janeiro, o Ministério Público estabeleceu um prazo de 20 dias para que as secretarias municipais apresentem esclarecimentos técnicos sobre os pontos levantados.


Até que haja análise conclusiva dos estudos ambientais e manifestação favorável dos órgãos técnicos, o MP orienta que não sejam concedidas licenças ou autorizações para a remoção de vegetação no local.


Posicionamento da empresa responsável


A empresa responsável pelo empreendimento, CBR 217 Empreendimentos Imobiliários, informou que o projeto segue as diretrizes ambientais previstas no processo de licenciamento e que todas as etapas legais estão sendo cumpridas.


Segundo a companhia, uma das medidas propostas como compensação ambiental seria o plantio de mais de 15 mil novas árvores, além da preservação de uma área verde significativa dentro do terreno.


Debate entre urbanização e preservação ambiental


O caso reacende o debate sobre o equilíbrio entre expansão imobiliária e preservação ambiental em áreas urbanas. Regiões como a Barra da Tijuca passaram por forte crescimento nas últimas décadas, impulsionando novos empreendimentos residenciais e comerciais.


Especialistas destacam que projetos imobiliários em áreas com sensibilidade ambiental exigem avaliações técnicas rigorosas para evitar impactos irreversíveis na fauna, flora e nos ecossistemas locais.

A decisão final sobre a continuidade ou não do projeto dependerá agora das análises técnicas e da posição da prefeitura após a manifestação dos órgãos ambientais e do Ministério Público.





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