“Condomínio das Corujas”: moradores transformam calçada em abrigo para aves em Ji‑Paraná (RO)
Comunidade improvisa casinhas para proteger família de corujas durante mutirão de reconstrução de calçamento no bairro Primavera
Foto: Líllyan Gonzaga Uma iniciativa comunitária inusitada vem chamando a atenção no bairro Primavera, no segundo distrito de Ji‑Paraná. Durante um mutirão para reconstruir o calçamento em frente à igreja Santa Maria Goretti, moradores descobriram um ninho de corujas no local onde entulho estava sendo colocado, levando à criação de um espaço protegido para as aves.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Welder Filgueira, a descoberta do ninho com filhotes ocorreu durante as obras. Antes que o buraco fosse fechado novamente, a aposentada Maria José Lima, moradora há cerca de 30 anos, alertou a equipe sobre a presença das corujas, impedindo que o ninho fosse destruído.
Com o tempo, a comunidade passou a construir pequenas casinhas para proteger os animais da chuva e criar um ambiente seguro para o grupo de aves. A iniciativa transformou a calçada que antes era apenas passagem em um verdadeiro refúgio para corujas — um “Condomínio das Corujas”, nome que acabou sendo pintado no local pelos moradores.
Hoje, cerca de oito meses após o início da ação, seis corujas vivem no espaço: um casal e quatro filhotes, e um novo ninho já começou a ser formado. A estrutura chama atenção de quem passa pelo local e inspira cuidados com a fauna urbana.
Para os moradores, a iniciativa não só protege a vida animal, mas também contribui para mudar a imagem da comunidade, tradicionalmente associada à violência.
“Nosso objetivo é mostrar que aqui também tem união e gente trabalhando para melhorar o bairro”, disse Welder Filgueira.
O “Condomínio das Corujas” já virou ponto de interesse para visitantes e moradores de outras regiões, que se reúnem para observar as aves. A comunidade faz um apelo para que quem visita o abrigo ajude a preservar o local, evitando jogar lixo e danificar as estruturas construídas.
Mais do que um abrigo, o espaço simboliza a integração entre cidadãos e natureza, reforçando que pequenas ações coletivas podem gerar grandes impactos positivos na convivência urbana com a fauna silvestre.


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