Justiça libera passeios de pets em condomínio de alto padrão em Campo Grande
Decisão garante direito a moradoras de circular com animais nas áreas comuns, contrariando regra interna do condomínio
Fachada do condomínio Jardins do Jatobá, próximo ao Shopping Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News) Uma decisão judicial recente reacendeu o debate sobre regras internas em condomínios ao autorizar o passeio de animais de estimação em áreas comuns de um empreendimento de alto padrão em Campo Grande.
O caso envolve o condomínio Jardins do Jatobá, onde duas moradoras ingressaram com ação judicial após serem impedidas de circular com seus pets pelo chão das áreas comuns. O regimento interno do condomínio determinava que cães e gatos só poderiam transitar no colo dos tutores ou em carrinhos.
A Justiça julgou parcialmente procedente o pedido e autorizou que as moradoras possam passear livremente com seus animais, desde que utilizem guia e coleira, garantindo o controle e a segurança durante a circulação.
As autoras da ação argumentaram que a restrição imposta era excessiva e sem respaldo legal, além de comprometer o bem-estar dos animais e o direito de locomoção dos tutores.
Por outro lado, o condomínio defendeu que as regras estavam previstas no regimento interno, aprovado pela coletividade, e tinham como objetivo preservar a convivência e a organização do espaço comum.
Na decisão, o magistrado reconheceu o direito das moradoras, mas estabeleceu que a medida tem efeito apenas entre as partes envolvidas no processo, não sendo automaticamente válida para os demais condôminos.
Além disso, o pedido de indenização por danos morais, que somava R$ 50 mil, foi negado pela Justiça.
O caso evidencia um conflito cada vez mais comum no ambiente condominial: o equilíbrio entre normas coletivas e direitos individuais dos moradores, especialmente quando envolve a convivência com animais de estimação.
Especialistas apontam que decisões como essa reforçam o entendimento de que regras condominiais não podem ser aplicadas de forma genérica ou desproporcional, devendo considerar aspectos como razoabilidade, segurança e bem-estar.
Para síndicos e administradoras, o episódio reforça a importância de revisar normas internas e buscar equilíbrio entre disciplina e flexibilidade, evitando conflitos judiciais e promovendo uma convivência mais harmoniosa entre moradores.


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