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Efeitos da guerra no Oriente Médio chegam à construção civil e elevam custos no Brasil

Alta de insumos como cimento, aço e PVC pressiona obras e reforça impacto do petróleo no setor da construção civil brasileira

Jornal Nacional
Efeitos da guerra no Oriente Médio chegam à construção civil e elevam custos no Brasil Matérias-primas e energia estão mais caras, e os combustíveis pressionando o preço do frete e da logística.

Guerra no Oriente Médio encarece materiais e pressiona custo da construção civil no Brasil

Os conflitos geopolíticos no Oriente Médio voltaram a impactar um dos motores da economia brasileira: a construção civil. Com a alta do petróleo e a instabilidade nas cadeias de suprimentos, o preço de insumos básicos disparou no último mês, refletindo diretamente no bolso de quem está construindo ou comprando imóveis na planta.

Inflação no Canteiro de Obras

Em abril, praticamente nenhum item escapou da pressão inflacionária. De acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas), as altas foram significativas em materiais essenciais:

  • Tubos de PVC: +5,11%
  • Massa de Concreto: +4,39%
  • Cimento Portland: +3,02%
  • Blocos de Concreto: +1,48%
  • Vergalhões de Aço: +0,91%

Renato Genioli, vice-presidente do SindusCon-SP, ressalta a dificuldade logística do setor em mitigar esses custos. "Não temos como estocar concreto ou grandes volumes de aço e blocos para garantir preços. A compra é constante, o que nos deixa expostos às variações do mercado", explica.

O Peso do Petróleo

O principal vilão por trás desses números é o barril do petróleo. Alberto Ajzental, professor de economia da FGV-SP, detalha que o impacto é duplo: além do aumento no frete e na logística, muitos materiais são derivados diretos do combustível fóssil.

"Materiais como os tubos de PVC, usados em instalações hidráulicas, têm derivados de petróleo em sua composição básica. Se o petróleo sobe internacionalmente, o custo desses produtos sobe na ponta final quase imediatamente", afirma.

Impacto no Comprador Final

Essa variação é medida pelo INCC-M (Índice Nacional de Custo de Construção), que subiu 1,04% em abril. No acumulado de 12 meses, a alta já supera os 6,28%.

Para quem comprou imóvel na planta, como a assistente de atendimento Maiara de Brito Pereira, o cenário traz apreensão. Com o casamento marcado e a entrega do apartamento prevista para 2029, ela vê as parcelas — que são corrigidas pelo INCC — subirem antes mesmo de morar.

"Traz preocupação. Por mais que tenhamos nos programado e recalculado tudo, essa volatilidade acaba nos afetando no final das contas", desabafa.

Dica do Especialista: Margem de Segurança

Diante da instabilidade, a recomendação para quem pretende financiar ou comprar um imóvel é cautela no comprometimento da renda.

"Embora os bancos aceitem até 30% de comprometimento da renda, o ideal é não passar dos 20%", sugere Ajzental.

Essa margem de 10% serve como um "amortecedor" para quando a inflação da construção civil subir acima da reposição salarial do comprador, garantindo que as parcelas continuem cabendo no orçamento familiar ao longo dos anos.




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