Juros altos e insumos mais caros agravam cenário da construção civil, aponta CNI
Levantamento da CNI indica piora nas condições financeiras do setor no primeiro trimestre de 2026, com aumento de custos, crédito mais restrito e redução de margens de lucro
Condições financeiras do setor da construção pioram com matérias primas em alta, diz CNI (Imagem: cifotart/istockphoto) A indústria da construção civil iniciou o primeiro trimestre de 2026 enfrentando uma deterioração em suas condições financeiras, conforme aponta levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
De acordo com a sondagem, o cenário foi impactado principalmente pela manutenção de juros elevados e pelo aumento no custo das matérias-primas e insumos utilizados nas obras, fatores que seguem pressionando a rentabilidade e a capacidade de investimento do setor.
O índice que mede a evolução dos preços médios de insumos e matérias-primas registrou alta de 6,8 pontos em relação ao trimestre anterior, alcançando 68,4 pontos, o que indica que os empresários percebem aumento significativo nos custos de produção.
Segundo a CNI, esse movimento de alta não é recente, mas foi intensificado por fatores externos, como a instabilidade em mercados internacionais e o aumento dos preços de combustíveis, que acabam refletindo diretamente na cadeia produtiva da construção civil.
Outro ponto de destaque do levantamento é a dificuldade de acesso ao crédito. O indicador que mede a facilidade de obtenção de financiamento caiu 1,3 ponto, passando de 39 para 37,7 pontos, permanecendo distante da linha de equilíbrio de 50 pontos. Isso demonstra que as empresas continuam enfrentando barreiras para financiar obras e novos investimentos.
O estudo também aponta queda na rentabilidade do setor. O índice de satisfação com o lucro operacional recuou 3,8 pontos, ficando em 41,3 pontos. Já a avaliação geral das finanças das empresas caiu 4,5 pontos, atingindo 45 pontos, evidenciando um cenário de maior pressão sobre os resultados.
Além disso, as expectativas para os próximos meses mostram sinais mistos. Enquanto alguns indicadores de atividade apresentam leve recuperação, há preocupação com possível redução de empregos e menor lançamento de novos empreendimentos, o que pode impactar o ritmo do setor no médio prazo.
A sondagem da CNI ouviu centenas de empresas de diferentes portes entre os dias 1º e 13 de abril de 2026, consolidando um panorama representativo da indústria da construção no país.
O levantamento reforça que o setor segue sensível às condições macroeconômicas, especialmente à taxa de juros e ao custo dos insumos, variáveis que continuam sendo determinantes para o ritmo de crescimento da construção civil no Brasil.


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