Quadrilha invade condomínio de luxo em Moema usando identidades falsas em São Paulo
Criminosos utilizaram documentos falsificados para acessar o empreendimento e praticar furtos em apartamentos de alto padrão
Foto: Reprodução Quadrilha especializada invade condomínio de luxo em Moema e rouba R$ 200 mil em bens
Criminosos se passaram por parentes de moradores e até filha de zelador para driblar a segurança. Três suspeitos foram identificados e condenados pela Justiça.
Uma quadrilha especializada em roubos a edifícios de alto padrão invadiu um condomínio de luxo em Moema, um dos bairros mais nobres da zona sul de São Paulo, deixando um prejuízo estimado em R$ 200 mil. Imagens exclusivas do circuito de segurança registraram a audácia dos criminosos, que utilizaram identidades falsas e mentiras para burlar a portaria e esvaziar um dos apartamentos.
O passo a passo do crime
A ação da chamada "gangue dos apês" começou durante a noite, com uma tentativa frustrada de invasão. Um casal tentou acessar o prédio utilizando o sistema de portaria eletrônica. A mulher acionou o interfone e afirmou ser moradora do térreo e filha do zelador, chamado Júlio. Ela alegou que o sistema de reconhecimento facial não estava funcionando.
No entanto, o atendente da portaria remota desconfiou da história, pois o sistema indicava que o homem citado já era ex-zelador do prédio e não havia nenhum cadastro da jovem. Percebendo que o golpe havia falhado, o casal desistiu e deixou o local rapidamente.
Horas depois, a quadrilha voltou a agir. O mesmo homem da primeira tentativa retornou, desta vez acompanhado de outro comparsa. A dupla conseguiu acessar as dependências do condomínio após se apresentar na portaria como parentes de um dos moradores.
Sabendo que os proprietários não estavam no local, os bandidos arrombaram a porta de um dos apartamentos e permaneceram lá dentro por mais de três horas, fazendo uma verdadeira "limpa". A fuga ocorreu pela garagem do prédio. Os criminosos saíram carregando malas e mochilas repletas de joias, relógios, roupas de grife, bebidas importadas, dinheiro em espécie e até chaves reservas de veículos.
O "olheiro" da quadrilha
As investigações revelaram ainda que, antes do furto se concretizar, um quarto suspeito foi ao local para testar a segurança. Ele fez contato com a portaria afirmando ser motorista de aplicativo e, posteriormente, entregador de comida para o apartamento 131. A mentira, no entanto, era evidente: o homem chegou a pé, sem carro, sem moto, sem bicicleta e com as mãos vazias, sem nenhum pacote de entrega. Para a polícia, a intenção era apenas confirmar se havia alguém no apartamento alvo.
Investigação e Condenações
Apesar da ousadia, os criminosos não se importaram em esconder os rostos das câmeras de segurança. O cruzamento das imagens com sistemas de reconhecimento facial da polícia permitiu a identificação dos envolvidos, que foram indiciados e julgados:
Letícia Pereira de Lima: Identificada como a jovem que se passou por filha do zelador na primeira tentativa. Foi condenada a 1 ano e 2 meses de prisão em regime aberto. Em nota, a defesa da acusada afirmou que se manifestará no momento oportuno e que provará a inocência da cliente.
Lucas Pereira Ribeiro da Silva: Participou tanto da tentativa frustrada com Letícia quanto da invasão bem-sucedida ao apartamento. Foi condenado a mais de 3 anos de prisão em regime semiaberto.
Gustavo Aquiles Tavares da Silva: O comparsa que entrou no prédio com Lucas e ajudou a saquear o apartamento. Recebeu a pena de 2 anos e 11 meses, também em regime semiaberto.
Cauã Rodrigues Ferreira Alcântara: Investigado como o "olheiro" que fingiu ser entregador. Acabou absolvido pela Justiça por falta de provas.
Insegurança em bairro nobre
O caso acendeu um alerta entre os moradores de Moema, região conhecida por seus imóveis de alto padrão e metro quadrado supervalorizado. O especialista em segurança Fernando Viggiano ressalta que, embora o bairro não possa ser classificado como inseguro, a criminalidade tem agido de forma cada vez mais frequente e ousada, gerando uma constante sensação de vulnerabilidade.
O medo já mudou a rotina de quem vive ou trabalha na região. Uma moradora, que preferiu não se identificar, relatou a mudança de hábitos ao sair de casa: "Sem aliança, sem correntinha, sem celular, sem nada. É impossível andar por Moema vestindo coisas de valor. Carteira? Não ando com nada", desabafou.



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