Fim da escala 6x1 pode elevar preço dos imóveis em 5,5%, alerta Abrainc
Entidade do setor da construção civil afirma que a redução da jornada de trabalho pode aumentar os custos das obras e impactar diretamente o valor dos imóveis
Imagem ilustrativa Fim da escala 6x1 pode elevar preço dos imóveis e excluir 2,5 milhões de famílias do mercado, alerta Abrainc
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas continua gerando debates em diversos setores da economia. No mercado imobiliário, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) demonstra preocupação com os possíveis impactos da medida sobre os custos da construção civil, os preços dos imóveis e o acesso da população à casa própria.
Em entrevista ao portal Money News, o presidente da Abrainc, Luiz França, afirmou que a mudança poderá provocar um aumento médio de 5,5% no valor dos imóveis comercializados no país. Segundo ele, o próprio Ministério do Trabalho já reconheceu que a redução da jornada pode gerar aumento de custos em diferentes setores econômicos, com impacto ainda maior na construção civil.
De acordo com França, estudos apresentados durante audiência pública indicaram que os custos do setor imobiliário podem variar entre 7,8% e 8,6%, percentual superior à média estimada para outros segmentos da economia. Como consequência, parte desse aumento tende a ser incorporada ao preço final dos empreendimentos.
O executivo destaca que a preocupação não se limita às empresas do setor. Segundo cálculos da entidade, um reajuste médio de 5,5% no valor dos imóveis, aliado ao custo dos financiamentos habitacionais de longo prazo, poderia retirar aproximadamente 2,5 milhões de famílias do mercado imobiliário por não atenderem mais aos critérios de renda exigidos para obtenção de crédito.
Outro ponto criticado pela Abrainc é o prazo de adaptação previsto na proposta. O texto estabelece uma transição inicial de apenas 60 dias para a primeira redução da escala e mais 12 meses para a implementação completa das mudanças. Para o setor, esse período é considerado insuficiente para que empresas, trabalhadores e contratos em andamento se adaptem à nova realidade.
França argumenta que experiências internacionais mostram processos muito mais longos. Segundo ele, países como Chile, México e Colômbia adotaram períodos de transição que variaram entre cinco e oito anos, permitindo ajustes graduais nas operações e negociações coletivas.
A entidade também alerta para possíveis reflexos no mercado de trabalho. Na avaliação da Abrainc, a redução da jornada sem mecanismos adequados de adaptação pode estimular o crescimento da informalidade, levando trabalhadores a buscar fontes complementares de renda fora das relações formais de emprego.
Diante desse cenário, representantes do setor têm intensificado o diálogo com parlamentares e integrantes do governo federal. A expectativa da entidade é que o tema seja amplamente debatido no Congresso Nacional antes de qualquer decisão definitiva, considerando os impactos econômicos, sociais e habitacionais da proposta.
Para a Abrainc, a discussão sobre a jornada de trabalho é legítima, mas precisa considerar os efeitos sobre setores estratégicos da economia, especialmente a construção civil, que possui forte influência na geração de empregos, no desenvolvimento urbano e no acesso da população à moradia.



COMENTÁRIOS