“Gringo do pó” é condenado por manter laboratório de drogas dentro de condomínio em Manaus
Josué Gomes da Silva foi apontado pela polícia como responsável por um laboratório de entorpecentes instalado em um apartamento de condomínio de luxo na capital amazonense.
Por Anderson Silva
31/07/2026 - 16h54
Foto: Reprodução Empresário é condenado por manter laboratório de drogas dentro de condomínio de alto padrão em Manaus
A Justiça do Amazonas condenou o empresário americano com dupla nacionalidade Josué Gomes da Silva a dois anos e quatro meses de reclusão por administrar um laboratório clandestino de drogas instalado dentro de um condomínio de alto padrão no bairro Vieiralves, na Zona Centro-Sul de Manaus.
Segundo informações divulgadas pelo portal Toda Hora, Josué foi identificado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) como responsável pela estrutura utilizada para armazenamento, preparação e distribuição de entorpecentes. O condenado também chamou atenção durante a investigação por ser apontado como pai de um agente do Federal Bureau of Investigation (FBI).
A pena definida pela Justiça será cumprida inicialmente em regime aberto e foi substituída por medidas restritivas de direitos. Com a decisão, Josué poderá recorrer em liberdade após a revogação da prisão preventiva.
Além da condenação, a sentença determinou o pagamento de 233 dias-multa, prestação pecuniária equivalente a 10 salários mínimos e a realização de serviços à comunidade ou a entidades públicas.
Na decisão, o magistrado considerou a condição financeira do condenado para estabelecer as medidas alternativas. Conforme registrado no processo, Josué afirmou possuir residência nos Estados Unidos, realizar viagens internacionais frequentes e atuar na importação e comercialização de produtos de alto valor agregado.
Investigação identificou laboratório clandestino dentro de apartamento
O caso teve início após uma investigação conduzida durante aproximadamente seis meses pela Polícia Civil do Amazonas. Em 9 de abril, equipes do 1º Distrito Integrado de Polícia (1º DIP) prenderam Josué durante uma ação em que ele teria sido flagrado entregando drogas a um usuário, que também foi detido.
Após a abordagem, os policiais realizaram buscas no apartamento utilizado pelo investigado dentro do condomínio residencial e encontraram uma estrutura equipada para o preparo de entorpecentes.
No local, foram apreendidos materiais como balança de precisão, prensa mecânica, máquina de embalagem a vácuo, porções de cocaína, cápsulas utilizadas para acondicionamento de drogas e outros equipamentos destinados ao fracionamento e distribuição dos entorpecentes.
Segundo a investigação, parte da droga encontrada já estava armazenada em cápsulas, método frequentemente associado ao transporte internacional de substâncias ilícitas.
Caso chama atenção para segurança em condomínios
A descoberta de um laboratório clandestino dentro de um empreendimento residencial de alto padrão também levantou discussões sobre os desafios enfrentados pelos condomínios na identificação de atividades ilegais dentro de unidades privativas.
Especialistas destacam que síndicos e administradores não possuem autorização para realizar fiscalizações dentro dos apartamentos sem consentimento do morador ou determinação judicial. No entanto, situações fora da rotina, como movimentações suspeitas, circulação frequente de pessoas desconhecidas ou alterações incomuns na utilização de uma unidade podem ser comunicadas às autoridades.
Durante a prisão, segundo a Polícia Civil, Josué teria tentado intimidar os agentes ao afirmar que era pai de um integrante do FBI e que tomaria medidas contra os policiais responsáveis pela operação. O parentesco foi posteriormente confirmado por familiares.
Com a decisão judicial, o empresário permanecerá em liberdade enquanto apresenta recurso contra a condenação, devendo cumprir as medidas alternativas determinadas pela Justiça.


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