Falta de mão de obra faz construtoras disputarem trabalhadores em Portugal
Escassez de profissionais qualificados chega a pelo menos 80 mil trabalhadores e leva empresas a oferecer salários maiores e benefícios para reter funcionários
Reprodução Falta de mão de obra faz construtoras disputarem trabalhadores em Portugal
A escassez de mão de obra qualificada está provocando uma disputa entre construtoras em Portugal. O déficit chega a pelo menos 80 mil trabalhadores, segundo informações apresentadas pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas de Portugal. A falta de profissionais atinge diferentes especialidades, incluindo pedreiros, eletricistas e pintores.
O cenário tem alterado a relação entre empresas e trabalhadores. Profissionais qualificados passaram a receber propostas frequentes de outras construtoras, enquanto as empresas buscam oferecer salários mais altos e benefícios para evitar a perda de funcionários e manter os cronogramas das obras.
Um exemplo é o paraense Wagner Vilanova, de 29 anos, que trabalha como eletricista em grandes obras. Segundo o relato apresentado pela Itatiaia, o profissional recebe propostas com frequência e a empresa onde trabalha procura cobrir as ofertas apresentadas pela concorrência.
Empresas oferecem benefícios para reter profissionais
A disputa por trabalhadores chegou a um ponto em que as construtoras passaram a ampliar os benefícios oferecidos aos profissionais considerados estratégicos.
No caso de Vilanova, a empresa assumiu os custos de deslocamento e disponibilizou um carro depois que ele decidiu morar a cerca de 100 quilômetros do local de trabalho, próximo a Caldas da Rainha. A estratégia demonstra como a retenção de profissionais se tornou uma preocupação para as empresas do setor.
A dificuldade de contratação não está concentrada em uma única função. A escassez envolve diferentes atividades necessárias para o funcionamento dos canteiros de obras, aumentando a competição entre empresas por profissionais com experiência e qualificação.
Para as construtoras, o problema pode representar dificuldades para preencher vagas, manter equipes completas e cumprir os prazos estabelecidos para os empreendimentos. A situação também pressiona as empresas a reverem suas estratégias de contratação, remuneração e retenção.
Brasileiros ganham espaço na construção portuguesa
Os trabalhadores brasileiros também ocupam posição de destaque nesse mercado. Segundo a reportagem, algumas construtoras portuguesas contam com uma presença expressiva de brasileiros entre seus funcionários.
Na empresa onde Wagner Vilanova trabalha, por exemplo, apenas dois profissionais são portugueses entre todos os contratados, de acordo com o relato apresentado na reportagem.
Outro profissional citado é André Mendonça, recifense que vive em Portugal desde 2018. Segundo ele, trabalhadores considerados bons profissionais conseguem ter seu desempenho reconhecido pelas empresas por meio de salários mais elevados.
A presença de trabalhadores estrangeiros se tornou ainda mais relevante diante das dificuldades enfrentadas pelo mercado português para formar e manter profissionais suficientes para atender à demanda da construção civil.
Regras migratórias agravam escassez
Além dos fatores relacionados à formação e retenção de profissionais, as mudanças nas regras migratórias de Portugal também contribuíram para aumentar a dificuldade de contratação. De acordo com a reportagem, trabalhadores que planejavam migrar para o país desistiram diante de obstáculos burocráticos, enquanto alguns estrangeiros que já estavam em Portugal buscaram oportunidades em países como Espanha e França.
O movimento cria um desafio adicional para um setor que precisa manter equipes suficientes para acompanhar a demanda por novas obras.
A situação portuguesa também apresenta um paralelo com desafios observados em outros mercados da construção civil. A falta de profissionais qualificados tem sido apontada como um dos principais gargalos para empresas que precisam ampliar a produção e cumprir cronogramas.
Impactos para a construção e o mercado imobiliário
A escassez de mão de obra pode produzir efeitos que vão além do mercado de trabalho. Quando as empresas enfrentam dificuldades para contratar profissionais, os custos de execução, os prazos e o planejamento dos empreendimentos podem ser afetados.
Para o setor imobiliário, a disponibilidade de trabalhadores é um dos componentes necessários para transformar projetos em obras concluídas. Engenheiros, eletricistas, pedreiros, pintores, carpinteiros e outros profissionais formam uma cadeia indispensável para o funcionamento dos canteiros.
O caso de Portugal mostra, portanto, como a qualificação e retenção de trabalhadores se tornaram questões estratégicas para a construção civil. Com empresas disputando profissionais e oferecendo melhores condições para mantê-los, o mercado de trabalho passa por uma transformação que pode influenciar diretamente os custos, os prazos e a capacidade de expansão do setor.



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