Síndico que pagou taxa a criminosos na Pavuna passou a receber vantagens
Segundo a Polícia Civil, homem aderiu ao esquema de cobrança e passou a trabalhar informalmente para empresa indicada pela quadrilha
Reprodução Síndico que pagou taxa a criminosos na Pavuna passou a receber vantagens
Um síndico de um condomínio localizado na Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, passou a receber vantagens após aderir a um esquema de cobrança de taxas imposto por criminosos. Segundo a Polícia Civil, ele foi o único síndico do conjunto residencial Complexo de Condomínios Estação Zona Norte que aceitou as exigências do grupo.
De acordo com as investigações, depois de aderir ao esquema, o homem passou a trabalhar informalmente para uma empresa indicada pela quadrilha. A Polícia Civil afirma que a empresa estaria ligada a traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina o Complexo da Pedreira, na mesma região.
A investigação aponta que os criminosos obrigavam síndicos dos condomínios a rescindir contratos com empresas de segurança já contratadas e substituí-las por um serviço indicado pelo grupo. A imposição estaria acompanhada de ameaças direcionadas aos moradores e às administrações condominiais.
Entre as ameaças relatadas pela Polícia Civil estava a possibilidade de permitir a entrada de usuários de drogas nos condomínios e até determinar a quebra de muros divisórios entre os empreendimentos. Em troca da suposta proteção, os moradores eram obrigados a pagar taxas mensais.
Síndico teria recebido vantagens após adesão
Segundo os investigadores, a situação do síndico que aceitou o contrato imposto pelo grupo se diferenciou da dos demais administradores. Após aderir ao esquema, ele teria passado a obter vantagens e a prestar serviços informalmente para a empresa indicada pelos criminosos.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que apura a participação de diferentes integrantes no esquema. Um dos investigados seria responsável por atuar como intermediário, repassando aos demais envolvidos as determinações relacionadas às cobranças e aos contratos de segurança.
A apuração também aponta Luís Henrique Ferreira de Melo, conhecido como Angolano, como chefe do esquema. Ele já está preso e figura entre os alvos da operação realizada pelas autoridades.
Operação mira integrantes do grupo
Durante a ação policial, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Pavuna e em Costa Barros. As diligências tiveram apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC).
A operação busca reunir provas sobre a atuação do grupo e esclarecer a estrutura utilizada para pressionar moradores e administrações dos condomínios. A investigação também procura identificar a participação de outros envolvidos no esquema.
O caso chama atenção para os riscos enfrentados por condomínios diante da atuação de grupos criminosos, especialmente quando ameaças são utilizadas para interferir diretamente na contratação de serviços de segurança e na administração dos empreendimentos.
Para síndicos e administradoras, situações dessa natureza reforçam a importância de protocolos de segurança, registro formal de ocorrências e acionamento das autoridades competentes diante de ameaças ou tentativas de interferência criminosa na gestão condominial.



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