Condomínios adotam blindagem de guaritas para conter avanço de quadrilhas
Cresce em São Paulo a instalação de vidros e estruturas blindadas em portarias, impulsionada pelo aumento de invasões e furtos em condomínios residenciais
Imagem ilustrativa O aumento expressivo das invasões a condomínios residenciais em São Paulo tem provocado uma mudança estrutural nas estratégias de segurança adotadas por síndicos e administradoras. A blindagem de guaritas e portarias vem ganhando espaço como mecanismo de reforço diante do avanço de quadrilhas especializadas em acesso forçado a prédios e loteamentos fechados.
De acordo com dados divulgados no estado, já foram registrados mais de 24 mil roubos e furtos a residências somente neste ano, número que reforça a necessidade de adaptação do setor condominial. O síndico Demilson Guilhem confirma a tendência:
“A portaria está se tornando um verdadeiro abrigo seguro. Blindar a guarita significa ganhar minutos preciosos contra invasores e preservar vidas”, afirma.
Construtoras também passaram a entregar novos empreendimentos com vidros e portas blindadas instalados de fábrica, o que revela o aumento da percepção de risco por parte do mercado imobiliário. Empresas especializadas em segurança relatam crescimento médio de 20% ao ano na procura por blindagem, especialmente em condomínios horizontais e edifícios de alto padrão. Uma delas substituiu vidros convencionais por blindados em 175 prédios da capital e atualmente monitora cerca de 100 portarias já protegidas.
Em um caso recente, a presença da blindagem foi decisiva para evitar um assalto. Os criminosos, ao perceberem a impossibilidade de rendição imediata da portaria, desistiram da ação antes de conseguir acesso ao interior do condomínio.
Para Adenise Maciel, gerente de operações em segurança condominial, a blindagem não atua de forma isolada, mas como parte de um ecossistema mais amplo:
“Hoje, os condomínios que levam segurança a sério estão adotando múltiplas camadas de proteção — controle de acesso facial, clausura, monitoramento remoto e agora a blindagem estrutural. O objetivo é atrasar o criminoso e impedir que ele avance”.
Especialistas reforçam que a tecnologia não substitui a política de segurança, mas a fortalece. A tomada de decisão deve considerar análise de risco, orçamento, legislação sobre obras em áreas comuns e treinamento dos funcionários responsáveis pela portaria.
Com a expansão desse modelo, consultores preveem que a blindagem de guaritas deixará de ser um diferencial e se tornará padrão no setor condominial em cidades com maior índice de violência.



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