RN lidera o Nordeste com menor alta no custo da construção civil em 2025, aponta IBGE
Com variação anual acumulada de 3,71%, Rio Grande do Norte registra índice abaixo das médias regional e nacional, segundo dados do Sinapi
Imagem ilustrativa O Rio Grande do Norte se consolidou como o estado do Nordeste com a menor variação anual acumulada no custo médio da construção civil em 2025. De acordo com dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice registrado até novembro foi de 3,71%, percentual inferior à média regional, de 5,31%, e à média nacional, de 5,09%.
Além do desempenho percentual, o custo médio por metro quadrado no estado alcançou R$ 1.747,25, posicionando o Rio Grande do Norte como o quinto menor valor entre os estados nordestinos. O resultado reforça a competitividade do setor local ao longo do ano, especialmente quando comparado a estados como Ceará (7,41%), Alagoas (6,75%) e Paraíba (6,35%), que registraram as maiores variações acumuladas na região.
Na análise mensal, considerando apenas o mês de novembro, o Nordeste apresentou o segundo menor crescimento do país, com variação de 0,16%, ficando atrás apenas do Centro-Oeste. O Rio Grande do Norte registrou crescimento ainda mais baixo, de apenas 0,03%, o terceiro menor da região, atrás de Alagoas (0,01%) e Pernambuco (0,02%).
Segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon/RN), Francisco Ramos, os números ainda não refletem integralmente a realidade do setor no estado. Isso ocorre porque o reajuste da mão de obra, tradicionalmente negociado em outubro, ainda não foi concluído entre o sindicato patronal e as entidades representativas dos trabalhadores.
De acordo com ele, essa defasagem interfere diretamente na coleta de dados do IBGE.
“Se o instituto está coletando os preços da mão de obra em novembro, ainda consta o mesmo valor praticado desde janeiro de 2025. Essa situação já ocorreu no ano anterior e deve ser corrigida assim que o reajuste for definido”, explicou.
A expectativa do Sinduscon/RN é que, com a conclusão das negociações, prevista para janeiro de 2026, o índice de variação do custo da construção no estado se aproxime da média nacional. O reajuste também deve impactar o custo médio por metro quadrado, atualmente na faixa de R$ 1,7 mil.
Apesar disso, Francisco Ramos destaca que o setor manteve competitividade ao longo de 2025, com variações inferiores às observadas em outros estados do Nordeste. Por outro lado, ele chama atenção para o aumento dos valores de aluguel em Natal, impulsionado pela relação entre oferta e demanda.
“Os aluguéis têm subido acima da inflação devido à escassez de imóveis disponíveis. Quando esse aumento ultrapassa o índice inflacionário, não é saudável para o mercado, já que as correções salariais normalmente acompanham a inflação”, afirmou.
Para 2026, a projeção do Sinduscon/RN é de que a variação do custo da construção civil fique ligeiramente acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), refletindo os reajustes pendentes e o cenário econômico nacional.

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