Carga tributária supera juros e se torna principal entrave à construção no Brasil

Sondagem da CNI aponta que altos impostos pressionam setor, elevam custos e afetam viabilidade de obras, com reflexos diretos no mercado imobiliário e em condomínios

A carga tributária elevada passou a ser o principal obstáculo ao desenvolvimento da construção civil no Brasil, superando até mesmo as altas taxas de juros, de acordo com a Sondagem Indústria da Construção divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A mudança de percepção entre os empresários do setor traz implicações relevantes para o mercado imobiliário e para a gestão de condomínios residenciais e comerciais.

No comparativo entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025, 37,2% dos entrevistados passaram a apontar a carga tributária como o maior entrave para o setor, enquanto as taxas de juros, embora ainda elevadas e responsáveis por dificultar o acesso ao crédito, ficaram em segundo lugar, com 32,1% das menções. A pesquisa considera fatores como custos de financiamento, disponibilidade de recursos e ambiente regulatório para investimentos.

O levantamento também revelou que o acesso ao crédito permanece restrito, com o índice de facilidade de financiamento situando-se significativamente abaixo da linha de 50 pontos, o que indica que ainda há obstáculos substanciais para obter recursos capazes de viabilizar projetos de construção. Esse cenário impacta diretamente não apenas grandes incorporadoras, mas também empreendedores, engenheiros e gestores de condomínios que dependem de financiamento para reformas, manutenções ou novos empreendimentos.

A pressão tributária incide sobre materiais de construção, serviços especializados e operações financeiras, elevando o chamado custo Brasil — conjunto de fatores que aumentam os custos de produção e reduzem a competitividade do setor. Para especialistas em economia urbana e direito imobiliário, esse contexto tende a refletir-se no aumento de preços finais de imóveis e nas despesas relacionadas à manutenção e gestão de condomínios.

Do ponto de vista da engenharia civil, a elevação de custos pode adiar ou até inviabilizar novos projetos, afetando o ritmo de lançamentos no mercado e, por consequência, a oferta de unidades residenciais e comerciais. A consequência para síndicos, administradoras e condôminos pode se traduzir em menos investimentos em melhorias, modernizações tecnológicas e infraestrutura de segurança, fatores que dependem de recursos financeiros consistentes.

Além disso, o cenário atual estimula debates sobre a necessidade de reformas tributárias e políticas públicas que almejem reduzir o peso dos impostos sobre a construção, com vistas a estimular investimentos, ampliar o acesso ao crédito e apoiar o desenvolvimento urbano. Sem essas medidas, o setor corre o risco de enfrentar um ciclo de retração prolongada.

Especialistas em gestão condominial lembram que os impactos não estão restritos ao processo de construção, mas também se espalham para o custo de manutenção e operação de condomínios existentes, que podem sentir a elevação de preços de materiais, serviços terceirizados e encargos financeiros embutidos nos custos gerais.

O relatório da CNI também mostrou uma desaceleração da atividade no final de 2025, com queda nos índices de produção, sugerindo que o setor enfrenta um momento de retração mais intenso do que o habitual para a época do ano.

O fortalecimento da carga tributária como o principal entrave à construção no país evidencia a necessidade de políticas estruturais que mitiguem os custos, facilitem o crédito e promovam um ambiente mais favorável à produção imobiliária e à gestão condominial, garantindo sustentabilidade financeira e crescimento econômico.




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