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Cadeirante garante na justiça vaga de garagem acessível em condomínio no litoral de SP

Decisão judicial determina que condomínio reserve vaga exclusiva para moradora com deficiência, sob pena de multa diária

G1
Cadeirante garante na justiça vaga de garagem acessível em condomínio no litoral de SP Cadeirante entra na Justiça para conseguir vaga acessível no prédio onde mora em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Uma mulher cadeirante ingressou na Justiça para garantir o direito a uma vaga de garagem acessível no prédio onde mora, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Apesar de o edifício adotar o sistema de ordem de chegada, a 4ª Vara Cível da cidade acatou o pedido e determinou que o condomínio reserve um espaço exclusivo para a moradora, sob pena de multa diária de R$ 800.

Alexandra Maria da Silva, de 52 anos, relatou ao g1 que utiliza cadeira de rodas devido à distrofia muscular. Para entrar e sair do prédio com autonomia, ela depende de uma vaga específica e de um acesso lateral ao corredor que leva ao seu apartamento.

“Sempre foi uma vaga rotativa e, segundo a síndica, não havia o que fazer: quem chegasse primeiro, estacionava. Sinceramente, eu e meu cuidador nos sentimos humilhados por todo o condomínio, pois não existe respeito”, lamentou Alexandra.

A multa diária, limitada a um mês, passou a valer desde a última quarta-feira (18), quando a síndica foi notificada da decisão judicial e não disponibilizou a vaga. Até a última atualização da reportagem, a defesa do Edifício Juliana não havia sido localizada.

Desentendimento

A moradora afirmou que vive no prédio há dois anos e que nunca houve demarcação formal de vagas para pessoas com deficiência (PCDs). Segundo ela, havia apenas um acordo com a síndica para utilização de uma vaga específica e de um portão lateral de acesso.

De acordo com Alexandra, a situação mudou após uma assembleia que aprovou o fechamento do portão, em agosto de 2025. Ela disse ter sido contrária à medida, mas a ata da reunião registrou aprovação unânime, motivada pelo interesse de moradores em utilizar o corredor para guardar bicicletas e instalar varais de roupas.

Diante do impasse, a moradora acionou o advogado Mateus Lins, que obteve uma liminar para reabertura da passagem. Segundo Alexandra, após a decisão, a síndica e a subsíndica passaram a estacionar seus veículos na única vaga que permitia sua acessibilidade.

Nova decisão

O advogado informou que a moradora tentou resolver a questão de forma extrajudicial antes de recorrer novamente ao Judiciário. Sem solução, foi necessário ajuizar uma nova ação em janeiro deste ano.

Na decisão do último dia 17, o juiz João Walter Cotrim Machado, da 4ª Vara Cível de Praia Grande, determinou que o condomínio disponibilize uma vaga exclusiva a Alexandra, preferencialmente a mais adequada para o uso com cadeira de rodas.

“Cada dia em que a requerente é impedida de utilizar uma vaga que atenda às suas especificidades, ela enfrenta barreiras intransponíveis, tornando sua rotina exaustiva, indigna e isolada. Isso caracteriza dano irreparável ou de difícil reparação, exigindo proteção judicial imediata”, destacou o magistrado.

O advogado ressaltou que a vaga deve permanecer livre e desimpedida, sendo proibida sua utilização por qualquer outro morador até o julgamento final do processo.

Segundo Lins, o caso chama atenção por evidenciar um conflito comum em condomínios, mas com um aspecto relevante: embora as vagas fossem ocupadas por ordem de chegada, a discussão envolve direitos fundamentais de acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência, que, conforme o entendimento judicial, devem prevalecer sobre regras internas condominiais.




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