Condomínio processa construtora por elevadores com falhas e risco à segurança em Cuiabá
Problemas recorrentes nos equipamentos motivam ação judicial e levam Justiça a determinar perícia técnica
Foto: Reprodução Um condomínio residencial em Cuiabá acionou a Justiça contra a construtora responsável pelo empreendimento após identificar uma série de falhas recorrentes nos elevadores, que têm comprometido a segurança, a acessibilidade e o bem-estar dos moradores.
De acordo com o processo, os problemas atingem os equipamentos das Torres A, B e C, que apresentam falhas constantes de funcionamento, incluindo paralisações prolongadas, quedas e defeitos mecânicos frequentes.
Mesmo após a substituição da empresa responsável pela manutenção — que passou a ser realizada por outra prestadora especializada — os elevadores continuaram apresentando falhas, em alguns casos até mais graves, elevando os custos com reposição de peças e intervenções técnicas.
Um dos episódios mais críticos envolve o elevador social da Torre A, que ficou paralisado desde 23 de outubro de 2023. Ainda que tenha passado por troca de componentes, como polias, o equipamento continuou sem responder adequadamente aos comandos.
Na Torre C, entregue em maio de 2023, os problemas surgiram apenas dois dias após a entrega do prédio, o que reforçou a suspeita de falhas relacionadas à instalação ou à própria execução da obra.
Outro registro relevante ocorreu em 14 de julho, quando os três elevadores da mesma torre ficaram simultaneamente fora de operação por cerca de três horas, impactando diretamente a rotina dos moradores.
Diante do cenário, o condomínio afirma ter realizado diversas notificações extrajudiciais na tentativa de solucionar os problemas, sem sucesso. Segundo os autos, as empresas envolvidas não assumiram responsabilidade clara pelos defeitos, que podem estar relacionados a vícios construtivos, falhas de fabricação ou problemas na prestação do serviço de manutenção.
Ao analisar o caso, a juíza da 3ª Vara Cível de Cuiabá determinou a realização de uma perícia técnica para avaliar as condições de segurança dos elevadores e identificar a origem das falhas. A medida foi considerada urgente, diante do risco de danos irreversíveis e da necessidade de preservar os direitos dos moradores.
A magistrada também destacou que o laudo pericial poderá auxiliar na definição de responsabilidades e até mesmo em uma possível solução consensual entre as partes envolvidas.
A perícia será conduzida por empresa especializada, que terá prazo determinado para apresentação do laudo técnico, enquanto as partes poderão indicar assistentes e apresentar quesitos durante o processo.
O caso evidencia um problema recorrente no setor imobiliário: a entrega de empreendimentos com falhas em sistemas essenciais. Especialistas apontam que situações como essa podem gerar não apenas custos elevados para o condomínio, mas também riscos diretos à integridade física dos moradores.
Além disso, falhas em elevadores impactam a acessibilidade, especialmente para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e moradores de andares mais altos, ampliando os prejuízos operacionais e sociais dentro do condomínio.
O episódio reforça a importância de uma gestão condominial atenta à fase de entrega técnica dos empreendimentos, com análise detalhada de equipamentos, exigência de garantias contratuais e acompanhamento rigoroso da manutenção.
Também acende um alerta para construtoras e fornecedores sobre a necessidade de cumprimento das normas técnicas e da responsabilidade na entrega de sistemas que são essenciais para o funcionamento seguro das edificações.


COMENTÁRIOS