Construtora fala em manutenção e pede laudos após falha em elevador em condomínio de João Pessoa
Grupo GP afirma prestar assistência às vítimas e defende apuração técnica para esclarecer causas do incidente no Altiplano
Foto: Reprodução Grupo GP se pronuncia sobre falha em elevador no Altiplano; defesa foca em assistência e cobra laudos de manutenção
O mercado imobiliário e a comunidade do bairro do Altiplano, na capital paraibana, acompanham os desdobramentos do incidente envolvendo o sistema de elevadores do residencial Reserva Altiplano I. Em pronunciamento oficial, o Grupo GP, responsável pela construção do empreendimento, quebrou o silêncio através de seu representante jurídico, o advogado Rinaldo Mouzalas. No comunicado, a empresa buscou equilibrar o tom humanitário de assistência às vítimas com uma postura técnica firme sobre a responsabilidade da gestão condominial na conservação dos equipamentos.
O caso, que gerou forte repercussão nas redes sociais e na imprensa local, envolveu o susto e ferimentos de moradores, incluindo crianças. No vídeo divulgado, a construtora pontuou que o foco inicial deve ser o suporte aos afetados, mas destacou que as causas reais da falha só serão determinadas por perícia técnica especializada.
Assistência imediata e prioridade humana
Antes de entrar nos méritos jurídicos e contratuais que cercam o caso, a defesa do Grupo GP ressaltou que a prioridade da empresa tem sido o acolhimento à família atingida.
"Antes de qualquer discussão técnico-jurídica, há uma família que merece cuidado, respeito, assistência e privacidade", declarou Rinaldo Mouzalas.
De acordo com o advogado, independentemente do resultado das investigações e da apuração final de culpados, a construtora já está prestando auxílio financeiro direto à vítima. Isso inclui o custeio de despesas médicas e hospitalares que não são cobertas pelo plano de saúde, além do monitoramento e apoio contínuo à situação psicológica e física das crianças envolvidas no episódio.
A Linha de Defesa: Manutenção Preventiva vs. Erro de Instalação
O cerne do pronunciamento girou em torno da operação e da manutenção dos elevadores após a entrega do edifício. O Grupo GP argumenta que o residencial foi entregue formalmente há quase três anos e que, desde então, os aparelhos funcionaram ininterruptamente, transportando moradores, visitantes e cargas pesadas diariamente.
A empresa enfatizou que elevadores são equipamentos de transporte vertical complexos e de alto desgaste, cuja segurança depende diretamente de um plano de manutenção preventiva mensal rigoroso, que deve ser obrigatoriamente conduzido por uma empresa terceirizada especializada, contratada pelo condomínio.
O posicionamento da construtora joga luz sobre as obrigações da administração do condomínio:
Obrigação Coletiva: A manutenção não pode ser tratada como um gasto supérfluo ou opcional da gestão interna.
Insuficiência de Reclamações: A defesa argumenta que registrar queixas sobre o funcionamento dos elevadores não resolve o problema se o condomínio não comprovar que realizou as manutenções técnicas periódicas exigidas pelos manuais do fabricante.
"A manutenção de elevador não é uma despesa opcional do condomínio, é uma obrigação essencial de proteção à coletividade", pontuou o advogado.
Histórico Judicial e a Análise do Novo Laudo
O embate entre a construtora e a administração do Reserva Altiplano I não é recente. O pronunciamento relembrou que a discussão sobre o funcionamento dos elevadores já havia sido levada ao Poder Judiciário. Na ocasião, o Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (TJPB) suspendeu uma liminar que exigia a substituição imediata dos equipamentos pela construtora, sob o entendimento de que não havia, até aquele momento, provas técnicas substanciais que justificassem uma medida de tal magnitude.
Recentemente, o condomínio apresentou um novo parecer técnico apontando falhas estruturais. O Grupo GP garantiu que receberá e analisará o documento com o máximo de seriedade, mas adiantou que uma leitura preliminar do próprio laudo do condomínio revela indícios de:
Lacunas e falhas na manutenção preventiva rotineira.
Intervenções inadequadas ou modificações nos sistemas de segurança originais dos elevadores.
Para solucionar o impasse de forma definitiva, a construtora defende a necessidade de uma perícia técnica minuciosa e neutra, capaz de isolar e identificar claramente três fatores: o que decorre da instalação original de fábrica, o que faz parte do desgaste natural após quase três anos de uso intenso, e o que foi agravado por falta de manutenção adequada ou intervenções posteriores.
Plano de Ação e Próximos Passos
O Grupo GP encerrou o comunicado oficial desenhando um plano de ação para restabelecer a segurança e a tranquilidade dos moradores do Reserva Altiplano I. As diretrizes estabelecidas pela empresa incluem:
Manutenção do apoio financeiro e médico integral à família afetada;
Colaboração irrestrita com a Polícia Civil, Defesa Civil e demais autoridades que investigam o caso;
Abertura de um canal de diálogo técnico com a administração do condomínio;
Revisão profunda e detalhada de todos os elevadores do complexo, com a substituição imediata de qualquer peça ou componente que apresente desconformidade;
Exigência da implementação de um cronograma permanente e auditável de manutenção preventiva.
"Não estamos aqui para apontar a culpa a quem quer que seja. Estamos aqui, sim, para afirmar o nosso compromisso com a vida, com a segurança, com a verdade técnica e com a solução responsável. Segurança não se constrói com precipitação; se constrói com perícia, manutenção e transparência", concluiu Mouzalas.
O espaço segue aberto para o posicionamento oficial da administração do condomínio Reserva Altiplano I e da empresa responsável pela manutenção dos elevadores à época do incidente.



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