Morador é suspeito de furtar carro da vizinha em prédio e caso envolve oferta para evitar denúncia
Defesa da proprietária afirma que suspeito teria oferecido R$ 100 mil para impedir representação criminal após desaparecimento do veículo em condomínio
Foto: Reprodução Um caso que tem chamado a atenção em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, envolve a suspeita de furto de um veículo dentro de um condomínio residencial e uma suposta oferta de R$ 100 mil para evitar que o episódio fosse levado adiante pelas autoridades policiais.
A vítima, a psicóloga Gláucia Almeida, teve o carro furtado da garagem do prédio onde mora, localizado no bairro Jardim Botânico, na zona Sul da cidade. O crime aconteceu no último domingo (24) e foi registrado pelas câmeras de monitoramento do condomínio.
Segundo relato da moradora, ela só percebeu o desaparecimento do veículo na segunda-feira (25), após conversar com a mãe e acreditar que o automóvel estivesse com ela. Ao verificar as imagens do sistema de segurança do edifício, foi possível identificar um homem saindo com o carro ainda durante a tarde de domingo.
As imagens passaram a integrar a investigação policial e são consideradas uma das principais evidências do caso. O condomínio possui sistema de portaria remota e, de acordo com a empresa responsável pelo controle eletrônico de acesso, não houve falha no sistema de segurança durante a ocorrência. O síndico do edifício preferiu não comentar o caso.
Nesta quarta-feira (27), o veículo foi localizado e levado por guincho até a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Ribeirão Preto. No mesmo dia, a mãe da vítima e a advogada da família compareceram à delegacia, onde o suspeito deveria se apresentar, mas ele não compareceu.
De acordo com a advogada Angelita Cristina Queiroz Martins, a proprietária do veículo foi informada de que deveria assinar a retirada do automóvel. No entanto, a defesa decidiu não aceitar a liberação naquele momento por entender que o boletim de ocorrência não identificava formalmente o suspeito nem vinculava a autoria do crime ao inquérito policial.
“Se tivesse sido um veículo encontrado no meio de uma rua, sem nenhuma comprovação da autoria, seria diferente. Aqui nós temos a autoria comprovada, com foto comprovada, com imagem, com radares fotográficos. Nós temos todos esses comprovantes da autoria, então essa autoria deveria estar relatada, sim, e autuada, sim, no inquérito policial”, afirmou a advogada.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a defesa da vítima revelar que, ao longo da semana, familiares do suspeito teriam procurado a proprietária do veículo para tentar encerrar o assunto sem desdobramentos criminais.
Segundo Angelita, foi oferecido à vítima um veículo zero quilômetro ou o pagamento de R$ 100 mil em dinheiro para que o caso não fosse levado adiante perante as autoridades.
“Houve uma oferta de um veículo zero ou em pecúnia R$ 100 mil. Então, causou muita estranheza isso, para que não fosse isso levado adiante, para que nós não tomássemos atitudes policiais, criminais”, declarou.
A advogada ressaltou que a proposta foi imediatamente recusada pela cliente.
“A minha cliente é uma pessoa de bem, de caráter, íntegra, ela se recusou a qualquer oferta em valores, porque ela disse que foi inaceitável o que aconteceu na vida dela. Ela não aceita propinas. Nós vivemos num país de propinas, mas felizmente a nossa cliente é pessoa íntegra”, acrescentou.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o autor do crime foi identificado e que a autoridade policial segue trabalhando para esclarecer completamente os fatos e concluir a investigação. A pasta também informou que o veículo teria sido devolvido à proprietária.
Entretanto, segundo informações da EPTV, afiliada da TV Globo, até a última atualização do caso o automóvel ainda permanecia na Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto.
O episódio gerou repercussão entre moradores da região por envolver um suspeito que reside no mesmo condomínio da vítima, reacendendo debates sobre segurança patrimonial, controle de acesso e a confiança entre moradores dentro dos empreendimentos residenciais. A Polícia Civil continua investigando o caso para apurar todas as circunstâncias do furto e eventuais responsabilidades criminais dos envolvidos.



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