Golpe usa documentos falsificados para tentar vender imóveis de terceiros em Natal
Creci-RN identificou cerca de quatro ocorrências recentes e alerta proprietários e compradores sobre cuidados antes de fechar negócios
Reprodução Golpe usa documentos falsificados para tentar vender imóveis de terceiros em Natal
O mercado imobiliário de Natal está em alerta diante de uma série de tentativas de fraude envolvendo a venda de imóveis sem autorização dos verdadeiros proprietários. Segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (Creci-RN), cerca de quatro ocorrências desse tipo foram identificadas na capital na última semana.
O golpe começa, segundo representantes do setor, com a abordagem de proprietários que demonstram interesse em vender seus imóveis. Os supostos compradores solicitam documentos como escritura, certidões e registros do imóvel, sob a justificativa de que precisam analisar a situação do bem antes de avançar com a negociação.
Com acesso às informações, os criminosos podem utilizar os documentos para falsificar registros e criar anúncios de imóveis que não estão efetivamente à venda. Depois, procuram possíveis compradores e tentam concluir a negociação como se fossem os proprietários ou representantes autorizados.
Documentos são utilizados para aplicar a fraude
O diretor secretário do Creci-RN, Moisés Marinho, demonstrou preocupação com o avanço desse tipo de golpe.
“Eles [os golpistas] pegam a documentação e repassam para pessoas de boa-fé, que perdem o dinheiro quando fazem o sinal. Então, essa questão dos golpes está muito preocupante”, relatou.
A estratégia pode fazer com que o comprador acredite estar negociando diretamente com o proprietário ou com uma pessoa legitimamente autorizada a representar o dono do imóvel.
O problema ganha ainda mais relevância diante dos valores envolvidos.
Fraudes atingem condomínios e imóveis de alto valor
Os casos identificados pelo conselho incluem condomínios e loteamentos de grande porte, além de apartamentos avaliados entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.
Em algumas situações, a fraude foi descoberta antes da conclusão da negociação porque os corretores envolvidos já conheciam os verdadeiros proprietários dos imóveis.
“Os casos aqui em Natal, por sorte, tinham corretores à frente e não houve prejuízo. Mas está havendo demais em condomínios grandes”, destacou Moisés Marinho.
O episódio reforça a importância da participação de profissionais habilitados em transações imobiliárias, especialmente em negócios de alto valor.
Comprador também precisa ficar atento
O alerta não é direcionado apenas aos proprietários.
Quem pretende comprar um imóvel também deve adotar medidas de segurança antes de entregar qualquer quantia ou assinar documentos.
Segundo o Creci-RN, a documentação apresentada pelo vendedor deve ser conferida diretamente nos órgãos competentes. Também é necessário verificar a identidade e a legitimidade da pessoa responsável pela negociação antes de qualquer pagamento ou assinatura de contrato.
A recomendação é especialmente importante quando a negociação apresenta condições muito diferentes das praticadas no mercado.
Corretor de imóveis pode ajudar a reduzir riscos
O presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio Grande do Norte (OAB/RN), Marcílio Mesquita, orienta compradores e proprietários a recorrerem a profissionais habilitados.
“O ideal é buscar sempre, para transação imobiliária, estar cercado de um corretor de imóveis, que a pessoa possa habilitá-lo para tratar das transações imobiliárias. Se você está vendendo um imóvel ou se você está comprando um imóvel, o corretor de imóvel já dá a segurança necessária inicial”, afirmou.
A presença de um profissional qualificado pode contribuir para a conferência das informações e para a identificação de inconsistências durante a negociação.
Preço muito abaixo do mercado é sinal de alerta
Entre os principais sinais que podem indicar uma tentativa de fraude está a oferta de um imóvel por valor muito inferior ao praticado no mercado.
Marcílio Mesquita alerta que os criminosos podem utilizar justamente o preço baixo para atrair compradores e acelerar o fechamento do negócio.
“Normalmente essa questão do valor é o que os golpistas utilizam. Trazem um produto, no caso aqui um imóvel, que vale R$ 100 mil, que se oferece por R$ 40 mil. Então isso já é um motivo de desconfiar. Um produto tão barato no mercado é um motivo realmente de desconfiança”, alertou.
Por isso, uma oferta aparentemente vantajosa demais deve ser analisada com cautela.
Pressa para fechar negócio também preocupa
Além do preço, a tentativa de acelerar a negociação pode ser outro sinal de alerta.
A pressão para que o comprador faça rapidamente um pagamento, assine documentos ou entregue um sinal pode reduzir o tempo disponível para a realização das verificações necessárias.
Em uma transação imobiliária, especialmente envolvendo valores elevados, a análise documental deve preceder qualquer compromisso financeiro.
Visita presencial ajuda a identificar problemas
A análise de documentos não deve ser a única providência adotada pelo comprador.
O advogado também recomenda que a pessoa conheça pessoalmente o imóvel antes de concluir a negociação.
“Quem está comprando, deve visitar o imóvel. Quem visitar o imóvel vai saber, vai conhecer, vai saber toda a situação dele”, orientou Marcílio Mesquita.
A visita pode ajudar a confirmar informações apresentadas no anúncio e permitir que o comprador identifique características que não aparecem em fotografias ou documentos.
O que fazer depois de cair no golpe?
Caso uma pessoa descubra que foi vítima de uma fraude, a orientação é procurar imediatamente as autoridades e assistência jurídica.
“É para fazer a ocorrência na Delegacia Especializada em Defraudações e constituir um advogado para tentar recuperar esse valor”, afirmou Marcílio Mesquita.
Apesar disso, o advogado alerta que a recuperação dos valores pode ser difícil, principalmente quando os responsáveis pela fraude não possuem patrimônio em seus nomes.
Por isso, a prevenção continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir os prejuízos.
Cuidados antes de comprar ou vender um imóvel
Diante do alerta emitido pelo Creci-RN, algumas medidas podem ajudar a tornar a negociação mais segura:
- verificar a identidade do vendedor;
- confirmar se a pessoa possui legitimidade para negociar o imóvel;
- conferir a documentação diretamente nos órgãos competentes;
- verificar escritura, certidões e registros;
- desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
- evitar decisões tomadas sob pressão;
- visitar pessoalmente o imóvel;
- contar com corretor de imóveis habilitado;
- buscar orientação jurídica em negociações de maior complexidade;
- não realizar pagamentos antes de concluir as verificações necessárias.
Segurança documental deve fazer parte da negociação
A fraude imobiliária demonstra que a segurança de uma transação começa muito antes da assinatura do contrato.
Documentos verdadeiros podem ser utilizados por criminosos para criar uma aparência de legitimidade e convencer compradores de boa-fé.
Por isso, a simples apresentação de uma escritura, certidão ou registro não deve ser considerada suficiente. A autenticidade e a legitimidade das informações precisam ser verificadas pelos canais competentes.
Alerta também vale para condomínios
O fato de alguns casos envolverem condomínios de grande porte reforça a necessidade de atenção de proprietários, administradores e profissionais que atuam no setor.
Imóveis localizados em empreendimentos valorizados podem se tornar alvos atrativos justamente pelos valores envolvidos nas negociações.
Nesse cenário, proprietários devem ter cautela ao compartilhar documentos e informações relacionadas aos imóveis, enquanto compradores precisam verificar cuidadosamente a identidade de quem está oferecendo a unidade.
Prevenção é fundamental no mercado imobiliário
O alerta emitido pelo Creci-RN evidencia que golpes envolvendo imóveis podem atingir negociações de diferentes valores e perfis.
A atuação de profissionais habilitados, a conferência documental e a análise cuidadosa das condições da negociação são medidas que contribuem para reduzir os riscos.
No caso de Natal, os casos recentes mostram que a atenção precisa ser redobrada, especialmente em negociações envolvendo imóveis de alto valor e condomínios de grande porte.
Em um mercado no qual uma única transação pode envolver centenas de milhares ou milhões de reais, desconfiar de ofertas muito vantajosas e verificar cada etapa do negócio pode fazer a diferença entre uma compra segura e um prejuízo de grandes proporções.



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