Desconto médio na venda de imóveis bate recorde e chega a 14%
Pesquisa Raio-X FipeZap mostra aumento das negociações com desconto e percepção de preços elevados no mercado imobiliário
Reprodução Desconto médio na venda de imóveis bate recorde e chega a 14%
O mercado imobiliário brasileiro registrou um aumento significativo no espaço para negociação entre compradores e vendedores no segundo trimestre de 2026. Segundo o levantamento Raio-X FipeZap, o desconto médio concedido nas operações que tiveram abatimento chegou a 14%, mesmo nível dos recordes registrados em 2016 e 2020. No mesmo período de 2025, o percentual era de 11%.
Quando são consideradas todas as transações, incluindo aquelas realizadas sem qualquer redução sobre o preço anunciado, o desconto médio ficou em 9%, acima da média histórica da pesquisa. O resultado indica um ambiente mais favorável à negociação para quem pretende adquirir um imóvel.
Outro indicador reforça esse cenário. No acumulado de 12 meses até junho, 65% das transações registraram algum desconto, acima dos 63% observados um ano antes e também superior à média histórica de 64%. O percentual ficou próximo do maior nível já identificado pela pesquisa, de 70%.
Percepção de preços elevados
A maior disposição para conceder descontos está relacionada, entre outros fatores, à percepção dos consumidores sobre os preços dos imóveis. Entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, aumentou de 71% para 73% a parcela dos entrevistados que consideram os preços altos ou muito altos.
Ao mesmo tempo, a proporção daqueles que consideram os valores razoáveis caiu de 17% para 16%. Já os que classificam os preços como baixos ou muito baixos recuaram de 6% para 4%.
“Em síntese, os resultados indicam um leve incremento da percepção de preços elevados na comparação interanual”, afirmaram os pesquisadores da Fipe.
O levantamento também aponta maior cautela em relação à valorização futura dos imóveis. A parcela dos entrevistados que esperam aumento nominal dos preços nos próximos 12 meses caiu de 42% para 39% entre os segundos trimestres de 2025 e 2026.
No mesmo intervalo, aqueles que projetam estabilidade passaram de 27% para 24%, enquanto os que esperam queda subiram de 10% para 11%. Também aumentou de 22% para 26% a parcela dos entrevistados que não souberam opinar sobre o comportamento futuro dos preços.
Apesar da maior cautela, a expectativa média dos participantes da pesquisa aponta para uma alta nominal de 2,6% nos preços dos imóveis residenciais nos próximos 12 meses.
Imóvel como investimento ganha espaço
O estudo também identificou uma leve alta na participação das compras de imóveis destinadas a investimento. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, essas operações representaram 40% das transações, ante 39% um ano antes. A média histórica do indicador é de 43%.
Entre os investidores, a principal finalidade continua sendo a geração de renda por meio de aluguel. Das aquisições classificadas como investimento no período, 74% foram destinadas ao mercado de locação, contra 67% um ano antes.
O resultado mostra que, mesmo diante de uma percepção de preços elevados e de maior cautela sobre a valorização dos imóveis, a possibilidade de obter renda recorrente com aluguel continua atraindo investidores.
Compradores demonstram comportamento mais cauteloso
O Raio-X FipeZap divide os participantes em três grupos: compradores que adquiriram um imóvel nos últimos 12 meses, proprietários que compraram há mais tempo e compradores em potencial que pretendem realizar uma aquisição nos três meses seguintes.
Os compradores efetivos representaram 10% da amostra, abaixo dos 12% registrados no trimestre anterior e também da média histórica de 11%. Já a parcela de compradores em potencial aumentou de 37% para 38% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.
Entre aqueles que compraram imóveis nos últimos 12 meses, 68% possuíam renda superior a R$ 10 mil. No grupo de compradores em potencial, 60% tinham renda de até R$ 10 mil.
Os dados apontam para um mercado no qual a negociação ganhou importância. Com a percepção de preços elevados, o aumento das transações realizadas com desconto e a maior cautela sobre a valorização futura, compradores encontram maior espaço para buscar condições mais favoráveis.
Para o setor imobiliário, o cenário reforça a importância de acompanhar indicadores de preço, demanda, oferta e comportamento dos consumidores. Para compradores e investidores, a combinação entre negociação, análise de mercado e avaliação das condições do imóvel pode ser determinante na tomada de decisão.



COMENTÁRIOS