Portarias de condomínios se reinventam para lidar com aumento de encomendas online
Crescimento do e-commerce transforma rotina das portarias, exigindo soluções tecnológicas e mais equipe para gestão de entregas
Imagem ilustrativa Portarias de condomínios se reinventam diante do aumento de encomendas online
O crescimento das compras pela internet tem transformado uma função tradicional dos condomínios: a portaria. Antes centradas em abrir e fechar portões e garantir a segurança, as portarias agora acumulam também a responsabilidade de receber, organizar e encaminhar centenas de encomendas diariamente.
No programa Vida no Condomínio, foi mostrado como prédios de diferentes portes estão lidando com essa nova realidade. Em edifícios de grande porte, com mais de 1.200 apartamentos e cerca de 3.600 moradores, o desafio é ainda maior. Segundo síndicos e porteiros, a rotina diária envolve monitoramento de câmeras, controle de acesso de visitantes, prestadores de serviços, cadastro de veículos, retirada de chaves e, claro, gestão das entregas.
“O trabalho da portaria vai muito além da segurança. Hoje é preciso coordenar tudo, desde a chegada das encomendas até a entrega para os moradores, que podem chegar a 100 por dia”, explica um porteiro que atua em um grande condomínio de Campo Largo.
Estratégias para organizar o fluxo de encomendas
Para lidar com o volume crescente, alguns condomínios têm apostado em soluções que combinam pessoal e tecnologia. Uma das medidas adotadas é a contratação de dois porteiros em turnos distintos: um interno, responsável pelo atendimento na portaria, e outro externo, auxiliando no controle de veículos e visitantes.
No entanto, mesmo com equipe ampliada, conflitos podem ocorrer. Entre os problemas mais comuns estão encomendas registradas como entregues no sistema das transportadoras, mas que não chegaram efetivamente às mãos dos moradores, gerando mal-entendidos e reclamações.
Armários inteligentes e videochamadas: a tecnologia como aliada
Para reduzir a confusão, condomínios de médio porte têm investido em armários inteligentes, que permitem que o entregador deposite a encomenda diretamente no locker correspondente ao tamanho do pacote. Assim que a entrega é feita, o morador recebe uma notificação no celular informando que pode retirar o item.
“É uma mão na roda. Mesmo quando não estou em casa, recebo a notificação e posso buscar a encomenda no meu horário”, comenta uma moradora.
Além dos armários, entregas de alimentos e itens que exigem interação direta com o morador utilizam videochamadas. O entregador se conecta com o residente para confirmar a entrega, garantindo mais segurança e controle.
Segundo especialistas, a tecnologia atende a diferentes perfis de condomínio, podendo ser escalonada conforme o tamanho do edifício e número de unidades. O investimento também é considerado acessível: em um condomínio com 192 apartamentos, o custo fica abaixo de R$ 100 por unidade, com suporte completo, incluindo central humana para resolução de problemas.
Limites e desafios
Apesar da tecnologia, algumas situações ainda exigem intervenção humana. Entregadores de grandes empresas, por exemplo, podem depositar várias encomendas em um único armário para agilizar o trabalho, o que gera necessidade de organização interna e comunicação entre moradores e síndicos.
“Nenhum sistema é perfeito, mas os aprimoramentos tecnológicos tendem a evoluir rapidamente para minimizar essas situações”, avalia um especialista em gestão condominial.
Para condomínios que ainda não adotaram soluções digitais, a dica é ponderar custo, benefício e perfil dos moradores, equilibrando tecnologia e atendimento humano para garantir que a experiência de receber encomendas continue segura, eficiente e organizada.



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