Casal é investigado por manter cerca de 150 gatos em apartamentos de condomínio em Belém
Moradores denunciam mau cheiro, condições insalubres e conflitos recorrentes em residencial no bairro de São Brás
Por Anderson Silva
15/05/2026 - 08h52
Foto: Reprodução Um caso envolvendo acúmulo de animais dentro de um condomínio residencial no bairro de São Brás, em Belém, passou a ser investigado pela Polícia Civil e também virou alvo de ação judicial após denúncias relacionadas à presença de cerca de 150 gatos mantidos em dois apartamentos por um casal de moradores.
Segundo relatos de vizinhos e da administração do condomínio, os animais ocupam as unidades há pelo menos quatro anos, gerando problemas recorrentes de convivência, forte odor e preocupação com as condições sanitárias no prédio.
De acordo com o síndico Marco Antônio Marques, os gatos estariam distribuídos entre os apartamentos 501 e 901 do residencial.
“Tem 150 gatos em dois apartamentos. Um que ele vive, que é o 501, tem 30, 40 gatos e o 901 que tem o complemento”, afirmou.
Moradores relatam que o cheiro intenso se espalha pelas áreas comuns do condomínio e afirmam que fezes dos animais chegam a atingir corredores e outros espaços compartilhados do prédio.
O caso também ganhou repercussão após denúncias de ameaças atribuídas ao tutor dos animais. Em um áudio divulgado pelos moradores, o homem ameaça “cometer um crime bárbaro” contra um vizinho. Em outro episódio registrado em vídeo, ele aparece quebrando o vidro da portaria do condomínio após uma reunião no residencial.
Imagens publicadas nas redes sociais do próprio tutor também mostram dezenas de gatos sobre camas, dentro de caixas de papelão e amamentando filhotes dentro dos apartamentos.
A situação foi encaminhada para a Divisão Especializada em Meio Ambiente e Proteção Animal. Uma perícia realizada pela Polícia Científica apontou condições sanitárias inadequadas nos imóveis e indícios de maus-tratos aos animais.
Segundo denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público do Estado, os apartamentos apresentavam marcas de urina nas paredes e portas, fezes espalhadas pelo chão e móveis danificados pelo excesso de felinos.
O documento também apontou a convivência entre gatos saudáveis e animais doentes, alguns apresentando sintomas de esporotricose, doença infecciosa que pode ser transmitida para humanos.
O caso reacende o debate sobre limites da criação de animais em condomínios, responsabilidade dos tutores, saúde coletiva e atuação das administrações condominiais diante de situações que possam comprometer segurança, higiene e convivência entre moradores.


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